A resposta está na construção de uma relação directa e permanente com os fãs, através de um diálogo sincero e espontâneo. Esta é a lição de Amanda Palmer que muitos dos artistas da nossa praça ainda têm que aprender. Não basta ter uma conta no Twitter e despejar para lá “conteúdos”.
Vocalista da banda da cabaré punk Dresden Dolls e artista a solo, Amanda Palmer conseguiu ao longo dos últimos meses juntar uma legião de fãs no Twitter, a ponto de contar actualmente com mais de 36 mil followers na plataforma de microblogging. Tal sucesso deve-se certamente à sua atitude rebelde e in your face.
Uma das suas principais utilizações do Twitter consiste na divulgação de actuações imprevistas, digressões secretas e entrevistas à imprensa. Graças a essa táctica de marketing de guerrilha, a artista tem conseguido juntar espontaneamente milhares de pessoas em cada uma dessas aparições públicas inusitadas.
Apesar de se encontrar actualmente ligada à Roadrunner Records, Amanda tem mostrado por diversas vezes intenção de abandonar a subsidiária da Warner Music Group. E a avaliar pela experiência de há cerca de um mês atrás, parece que ela sabe virar-se muito melhor sem a ajuda de uma editora por detrás, uma vez que até hoje ela não ganhou absolutamente nada em royalties com as 30 mil cópias vendidas do seu disco de 2008.
Em apenas dez horas, Amanda conseguiu juntar 19 mil dólares (13.600 euros) através do Twitter através da venda directa de artigos de merchandising inventados a partir das sugestões dos seus fãs. A isto é que se chama marketing de crowdsourcing. A história toda está disponível no Hypebot mas eu vou tentar resumir o que se passou.
Depois de enviar um tweet solitário apelando aos losers que ficam em casa sexta feira à noite à frente dos seus ecrãs, rapidamente surgiu uma legião de fãs a trocar piadas sobre o tema. Pouco tempo depois, alguém propôs a criação da hashtag #lofnotc para agrupar as conversas sobre o tópico. Não foi preciso esperar muito tempo para que essa hashtag ascendesse ao primeiro lugar dos temas mais pesquisados no motor de busca do Twitter.
Horas mais tarde, Amanda decidiu criar uma camisola. Em resposta, alguém sugeriu o slogan “DON’T STAND UP FOR WHAT’S RIGHT, STAY IN FOR WHAT’S WRONG.” No final da festa (onde também participou o escritor Neil Gaiman), a cantora tinha recebido 11 mil dólares (7.900 euros) resultante das vendas de 400 camisolas a partir de um site criado à pressão pelo seu Web designer – que por sorte ainda estava acordado àquela hora.
Nos dias seguintes, Amanda Palmer conseguiu amealhar mais seis mil dólares (4.300 euros) graças a um leilão realizado por videoconferência dos objectos mais mirabolantes na sua posse. Mais tarde, a artista juntou ainda mais 1.800 dólares (1300 euros) através de doações num concerto privado realizado num estúdio de gravação em Boston.
É claro que o Twitter não é uma máquina de ganhar dinheiro ao serviço dos artistas. Este tipo de tácticas de marketing viral e de guerrillha só fazem sentido em mercados mais vastos como o brasileiro mas se um artista tem um público global e dispõe do à-vontade necessário, bem como uma personalidade relativamente carismática capaz de erguer uma tribo em seu redor, porque não apostar no desenvolvimento de uma relação de proximidade no Twitter? Assim como assim, o Twitter é, tal como outras redes sociais, uma plataforma onde se pode fazer muita coisa sem gastar praticamente nenhum dinheiro. É só preciso ter jeito para a auto-promoção
(foto de bdjsb7 segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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Excelente artigo .
Como ganhar 19 mil dólares em 10 horas no Twitter – http://migre.me/3afv
Excelente mesmo! Muito bom
hoax!!!