EMI deixa de vender CDs a lojas de música independentes?

by Miguel Caetano on Julho 16, 2009

Há cerca de 15 anos atrás aconteceu com os discos em vinil. De modo a efectuar mais rapidamente a transição para o negócio mais lucrativo dos CDs, as grandes editoras deixaram de vender LPs às lojas de música independente.

Agora, tudo indica que o mesmo está a acontecer com os CDs. Só que agora quem vê o seu negócio bastante ameaçado são as pequenas lojas de bairro. Segundo conta Wayne Rosso, antigo presidente da empresa responsável pela aplicação de P2P Grokster, a EMI tem vindo a contactar por telefone com vários retalhistas de pequena dimensão de modo a informar-lhes que irá deixar de lhes vender directamente os seus discos.

A partir de agora, os proprietários destas lojas serão obrigados a recorrerem a uma série de distribuidores alternativos. Mas o problema é que estas empresas dispõem de um catálogo muito menos vasto do que os clientes das lojas independentes estão normalmente interessados e não oferecem preços suficientemente acessíveis para garantirem a sustentabilidade financeira do negócio.

Alguns dos retalhistas com os quais Rosso conversou ficaram tão desagradados com a novidade que lhe garantiram que nunca mais comprariam tanto fundos de catálogo como novos lançamentos da EMI. Para justificar esta decisão, a quarta maior companhia discográfica do mundo limitou-se a afirmar que se tratava de uma mera medida de contenção de custos.

Mas o que está aqui em causa é o facto da EMI querer a todo o custo depender menos das receitas geradas pelos CDs. Conforme o director executivo Elio Leoni-Sceti afirmou a propósito da sua participação no Fṕrum  da Creativity and Business International Network (c&binet) a ter lugar entre 26 a 28 de Outubro em Hertfordshire (Reino Unido):

Temos uma situação em que 70 por cento do consumo de música é digital e contudo apenas 20 por cento das receitas das editoras discográficas derivam do digital. A procura de música continua elevada mas é óbvio que nos afastámos dos nossos consumidores.

Mas será que os audiófilos que gastam balúrdios em lojas independentes também não se enquadram nesta categoria? A verdade é que a avaliar pelas sugestões dadas por Leoni-Sceti (”estar atento aos desejos e necessidades dos consumidores e fornecer novos produtos e serviços que eles queiram comprar” ou “complementar a criatividade dos nossos artistas com as nossas próprias aptidões em inovação”), os “manda-chuvas” da EMI continuam a não ter ideia de onde virá a sua salvação. Se é que alguma vez virá.

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