A estratégia da Microsoft em relação à música online pode ser descrita no mínimo como ziguezagueante. Eu diria que se trata de um caso de uma empresa que se tornou tão grande a ponto de se sentir obrigada a perseguir todos os nichos de mercado, mesmo arriscando-se a chegar mais tarde do que todos os outros.
Depois de ter andando durante anos a tentar vender música com DRM, a Microsoft parece ter finalmente descoberto que os fãs de música não gostam de pagar pelo acesso a downloads digitais, especialmente se eles vierem com restrições tecnológicas. Esta semana, a gigante de Redmond anunciou uma nova plataforma de streaming grátis de música criada especificamente para concorrer com o Spotify.
Actualmente considerado o “menino-bonito” da indústria discográfica, este último permite escutar gratuitamente via streaming em troca de se sujeitar à audição de um minuto de publicidade em cada 30 minutos de música. Quem não quiser ouvir os anúncios pode pagar 9,99 euros por mês e beneficiar de uma melhor qualidade áudio. Contudo, o grande inconveniente do Spotify é que ele continua inacessível aos utilizadores portugueses. Mas há quem use esquemas mais ou menos legais para contornar estas limitações.
O curioso é que o novo serviço da Microsoft deverá surgir cerca de seis meses após o lançamento de uma loja de música móvel assente em formatos com DRM, precisamente numa altura em que as editoras começaram a permitir a venda de faixas sem protecções directamente para os telemóveis. Isto depois do encerramento do seu MSN Music nos EUA em Novembro de 2006 que deixou alguns fãs de música a arder com ficheiros que poderão deixar de tocar já em 2001. Adivinhem qual a razão? DRM, pois claro!
Sem adiantar grandes pormenores sobre o serviço, o director executivo da MSN Peter Bale limitou-se a afirmar que a Microsoft ainda se encontra a examinar qual o modelo de negócio a adoptar. O serviço deverá abrir já no final de Julho mas não se admirem se apenas os utilizadores britânicos puderem beneficiar dele.
Mesmo assim, tudo indica que o serviço irá oferecer algum tipo de integração com o leitor de música portátil MP3 por intermédio da sua ligação WiFi, bem como através da plataforma Xbox Live da sua consola Xbox 360. Em paralelo, a empresa encontra-se também em negociações com retalhistas de música online para fornecer links que permitam adquirir downloads. Esta estratégia é semelhante à adoptada pela Spotify que estabeleceu um acordo com a 7Digital nesse sentido.
Finalmente, existe também a possibilidade da nova plataforma da MS incorporar tecnologia do malogrado Seeqpod. Em Maio deste ano surgiu o rumor de que a Microsoft teria adquirido a tecnologia de raiz deste motor de busca de MP3 que foi esmagado pelos processos judiciais instaurados pela EMI e Warner Music Group.
(foto de Rory Finneren segundo licença CC-BY-SA 2.0)
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eu pergunto-me é como é que ainda existe gente que acredita nesta empresa e no que ela faz.