MySpace Music: o “salvador” do MySpace

by Miguel Caetano on 24 de Julho de 2009

Weil, Well… O que pode ser mau para as grandes editoras pode afinal revelar-se muito bom para a News Corp. Em Abril passado, indiquei aqui que as majors, ou antes, a Warner Music Group estava bastante descontente com o desempenho do MySpace Music, nomeadamente porque ao contrário das outras três o seu acordo de licenciamento não contempla o pagamento de uma quantia pelo streaming de cada música mas apenas a divisão das receitas geradas pela publicidade exibida enquanto a faixa toca. E como a publicidade não está a dar, surgiu o rumor de que a WMG poderia remover o seu catálogo da secção da rede social.

Mas a acontecer isso seria uma grande burrice para a Warner. Isto porque dados recentemente divulgados pela Nielsen através do TechCrunch indicam que o tráfego do MySpace Music cresceu 190 por cento desde o seu lançamento nos Estados Unidos em Setembro até Junho deste ano.

Segundo a mesma empresa, no mês passado o site contou com 12,1 milhões de utilizadores únicos – face aos 4,2 milhões de Setembro de 2008 -, apenas atrás do AOL Music (22,7 milhões) e do Yahoo Music (20,6 milhões). Durante o mesmo período, só o tráfego para o subdomínio music.myspace.com cresceu 1017 por cento.

Os dados da Nielsen são também importantes porque desmistifcam a ideia de que o MySpace Music é só para pessoas entre os 25 e os 35 anos. Este crescimento espantoso do MySpace Music ocorre assim em total contra-mão à actual decadência do site principal do MySpace face à subida imparável do Facebook. No mês passado, a rede social do grupo News Group foi forçada a despedir 30 por cento dos seus funcionários nos EUA e dois terços da sua força de trabalho a nível global.

Segundo a ComScore, o tráfego do MySpace desceu 22 por cento entre Maio de 2008 e Maio desde ano: de 8,3 milhões de utilizadores únicos para apenas 6,5 milhões. Em contrapartida, o número de visitas totais a redes sociais subiu nove por cento ao longo do último ano, tendo o Facebook crescido 57 por cento para os 23,8 milhões de utilizadores.

Posto isto, está na cara que o futuro do MySpace – assim como o passado – está na música. Só não vê quem quer! Apesar de fociórico, lento e pesado, o site de música da rede social continua a ser o recurso indispensável para conhecer música nova. Mas existe um problema: até agora apenas os norte-americanos puderam beneficiar de funcionalidades como streaming ilimitado de álbuns completos, partilha de playlists, etc.

E pelo andar das coisas, parece que ainda vai demorar um pouco tempo mais até que os europeus possam usufruir de tudo isso. Inicialmente previsto para Setembro, o lançamento do MySpace Music no Reino Unido foi entretanto adiado por um mês, de acordo com o jornal Telegraph. Na semana passada, o director executivo do MySpace Owen Van Natta enviou um email aos funcionários da companhia admitindo que os utilizadores do MySpace não sabem para que é que a rede social serve. Ao que consta, parece que Van Natta receia colocar demasiado a tónica na música.

Ontem, o presidente da divisão digital da News Corp. Jonathan Miller disse à Reuters que a empresa pretende transformar o MySpace numa plataforma de videojogos online. E na realidade, a rede social possui já actualmente uma série de serviços orientados para os videojogos e espera obter receitas adicionais mediante o recurso a jogos de azar.

Quanto a mim, esse ênfase nos jogos online seria um grande disparate. Depois de ter emagrecido a sua estrutura de recursos humanos, o MySpace está agora preparado para regressar às suas raízes, ou seja, a música. O MySpace necessita de voltar a ter esse espírito underground e grassroots de 2005-2006, desempenhando o papel de cenário de fundo para a camaradagem entre artistas e fãs.

É certo que a música gera menos receitas que os jogos de azar e que os contratos de licenciamento com as majors são um autêntico sorvedouro de dinheiro. Mas também é preciso ter em conta que os fieis do MySpace continuam a ser os artistas e os fãs de música. Renegar estas origens seria um erro brutal para o MySpace e meio caminho andado para a sua descaracterização. O culminar desse percurso seria um fim inglório. Será que é isso que a News Corp. pretende?

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. MySpace Music chega em Setembro. De certeza?
  2. MySpace vende publicidade a bandas independentes… excluídas do MySpace Music
  3. MySpace Music atinge mil milhões de streams numa semana
  4. MySpace Music passa a contar com mais independentes
  5. MySpace Music chega às ilhas britânicas

{ 2 comments… read them below or add one }

1 Gerson 25 de Julho de 2009 ás 2:08

No Brail fecharam o escritório a pouco tempo… durou pouco aqui o esquema deles baseado apenas em publicidade…

Responder

2 Programa Bluga 26 de Julho de 2009 ás 7:58

MySpace Music: o “salvador” do MySpace: http://bit.ly/3eTDlr tirado lá do blog do @remixtures

Responder

Leave a Comment

Previous post:

Next post: