Os rumores do declínio da partilha de ficheiros foram largamente exagerados. Afinal, parece que os serviços legais de streaming de música como o Spotify ou o Imeem não substituem as necessidades musicais dos jovens britânicos que continuam a preferir o download, ainda que por vias menos legais do que as desejadas pela indústria discográfica. Esta é a principal conclusão da mais recente edição do estudo anual encomendado pela UK Music à Universidade de Hertfordshire.
A UK Music constitui um supergrupo que desde Outubro de 2008 congrega os interesese de todos os lobbies do sector do disco no Reino Unido e que é dirigido por Feargal Sharkey, antigo vocalista da banda Punk Undertones. Nesta pesquisa realizada a 1808 indivíduos entre os 14 e os 24 anos de idade ficámos a saber que 61 por cento dos inquiridos afirmaram descarregar música “através de redes de partilha de ficheiros ou via trackers de torrents,” sendo que 83 por cento destes admitiram que fazem downloads numa base semanal ou mesmo diária. Para além da partilha de ficheiros via P2P, outros métodos utilizados são a cópia de CDs entre amigos (86%) e a partilha via email, Bluetooth, Skype ou MSN.
Só para ficarem com uma noção da escala a que a prática atingiu, fiquem a saber que cada jovem possui em média no seu disco rígido 8.159 faixas, ou seja, o equivalente a 17 dias de música sem parar. Contrariando os dados de um outro estudo recente com origem no Reino Unido elaborado pela empresa britânica de estudos de mercado The Leading Question em conjunto com a Music Ally que indicava que os jovens britânicos estavam a utilizar os serviços legais e grátis de streaming como substitutos dos downloads ilegais, esta pesquisa revela que os mais novos valorizam bastante a possibilidade de fazerem o que quiserem com a música: transferi-la para telemóveis, leitores de MP3, gravá-la para CDs, etc.
De facto, os jovens parecem distinguir tão bem a diferença entre o streaming e os downloads que se recusam terminantemente (78%) a pagar por um serviço de streaming. 89 por cento afirmaram mesmo que preferem ser donos da sua música a acedê-la via streaming. Vendo bem, a ideia de que o streaming poderia alguma vez constituir o futuro da música só poderia ter saído das cabeças alucinadas de executivos de grandes editoras sedentos de dinheiro: da mesma forma que a rádio funcionou sempre como complemento das cassetes e dos CDs também o streaming funciona como um complemento dos downloads.
Tanto num como noutro caso, ambos os formatos se dedicam a funcionar como mecanismos de descoberta de música nova, servindo muitas vezes como pano de fundo musical para outras actividades. Por outro lado, tanto os discos como os downloads – mesmo os grátis – implicam um certo grau mínimo de proactividade e de esforço. Mais que não seja para encontrar o disco que pretendemos!
Mas nem tudo são más notícias para a indústria discográfica que ainda vai a tempo de salvar parcialmente a sua face mediante o lançamento de uma verdadeira tarifa plana que dê acesso a um número ilimitado de downloads sem qualquer tipo de restrições: 85 por cento dos partilhadores afirmaram que estariam disponíveis numa subscrição desse tipo. Aqui há alguns meses atrás, a Virgin Media anunciou algo semelhante em colaboração com a Universal.
Todavia, resta um grande problema: ninguém está interessado num serviço que conte apenas com uma editora, mesmo que ela seja a maior do mundo. Para que uma oferta desse tipo tenha sucesso é preciso que os ISPs sejam obrigados a convidar todas as editoras, publishers e sociedades de gestão colectiva. Nem que o Estado tenha que legislar nesse sentido. E se o governo britânico receia que uma tarifa plana desse tipo canibalize as vendas de CDs, é bom que retenha este dado: 77 dos inquiridos afirmaram que continuariam a comprar CDs físicos mesmo no caso de subscreverem um serviço de downloads ilimitados.

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Estudo conclui que só mesmo a tarifa plana pode salvar a indústria discográfica http://migre.me/5brY
Eu acho que a tarifa plana acabaria se transformando em apenas streaming no futuro. Os HDs teriam que ser enormes para conterem tanta música. E a partir do momento que se tem acesso a tudo na hora que se quer, para que possuir? Acredito mesmo que seja uma tendência natural. Mas para mim, como autor, tanto faz como ouçam a minha música. Se houver uma forma de compensação já estou muito feliz.
Leoni, infelizmente o streaming não está sempre disponível (quando estamos a caminhar por uma zona remota sem acesso a Wifi e 3G) e existe sempre a possibilidade do titular de direitos ou do artista decidir remover as suas músicas do serviço. Além disso, os discos rígidos ou HDs têm cada vez maior capacidade. Mais importante do que isso, o streaming acarreta muitas despesas em largura de banda que seriam totalmente incomportáveis para os provedores de serviços no caso de se tratarem de ficheiros com uma qualidade áudio acima do razoável. Já imaginou o que seria "descarregar" uma música de cada vez que se quisesse ouvi-la? Sim, porque o streaming não passa de um mero download temporário. E esta é a razão porque muitos partilhadores optam pelos trackers privados de BitTorrent: eles oferecem melhor qualidade e melhor facilidade de utilização. Será um desafio enorme para a indústria discográfica implementar um serviço tão acessível e de fácil utilização. Penso que isso só será impossível caso o Estado intervenha neste sentido.
Leoni, infelizmente o streaming não está sempre disponível (quando estamos a caminhar por uma zona remota sem acesso a Wifi e 3G, por exemplo) e existe sempre a possibilidade do titular de direitos ou do artista decidir remover as suas músicas do serviço. Além disso, os discos rígidos ou HDs têm cada vez maior capacidade a um preço mais acessível: aqui em Portugal já é possível encontrar HDs de 2 TBs à venda. Mais importante do que isso, o streaming acarreta muitas despesas em largura de banda que seriam totalmente incomportáveis para os provedores de serviços no caso de se tratarem de ficheiros com uma qualidade áudio acima do razoável. Já imaginou o que seria "descarregar" uma música sempre que se quisesse ouvi-la? Sim, porque o streaming não passa de um mero download temporário. E esta é a razão porque muitos partilhadores optam pelos trackers privados de BitTorrent: eles oferecem melhor qualidade e melhor facilidade de utilização. Será um desafio enorme para a indústria discográfica implementar um serviço tão acessível e de fácil utilização como estes. Penso que isso só será possível caso o Estado intervenha neste sentido.
Estudo conclui que só mesmo a tarifa plana pode salvar a indústria discográfica http://tinyurl.com/q3gs9h
Estudo conclui que só mesmo a tarifa plana pode salvar a indústria discográfica http://tinyurl.com/q3gs9h