Felizmente que o meu nunca explodiu mas nunca se sabe… Que as baterias de iões de lítio são perigosas já é do conhecimento público pelo que é mais ou menos compreensível o surgimento de casos de iPods que explodiram. Afinal de contas, até Setembro do ano passado a Apple já tinha vendido mais de 173 milhões de leitores de MP3 e embora os riscos sejam extremamente diminutos, existe sempre a possibilidade da ocorrência de incidentes.
O que não é nada compreensível é que a marca da maçã tem feito o possível e o impossível para evitar a divulgação pública destes casos. Há cerca de duas semanas atrás, a KIRO 7, uma estação de televisão local dos Estados Unidos, publicou uma reportagem dando conta de uma série de iPods que de um momento para o outro começaram a arder e a deitar fumo, acabando por ferir várias pessoas e danificar uma série de bens pessoais.
Segundo o artigo, a repórter Amy Clancy demorou mais de sete meses para obter os documentos relativos aos iPods da Comissão para a Segurança de Produtos para Consumidores dos EUA. A razão? Os sucessivos pedidos de não divulgação dos dados apresentados pelos advogados da Apple. Depois de muito esforço, a jornalista lá conseguiu recolher mais de 800 páginas de documentação. E a avaliar pelo que lá vem, tudo indica que desde 2005 que a Apple já tinha conhecimento da ocorrência regular de incidentes.
Segundo a Comissão, a culpa dos incidentes deve ser imputada à tendência para o sobreaquecimento das baterias de iões de lítio utilizadas nos leitores de MP3. Contudo, a mesma entidade conclui que o número de incidentes é extremamente reduzido face ao número de produtos produzidos, pelo que o risco de feridos graves é bastante baixo.
Mas se não existe motivo para retirar os leitores de MP3 do mercado, o que é certo é que os casos de iPods explosivos continuam a ganhar relevo na comunicação social. Esta semana, o jornal britânico The Times noticiou que a Apple tentou silenciar uma família britânica apóis a explosão do iPod Touch da filha de 11 anos após o pai, Ken Stanborough de 47 anos, ter entrado em contacto com a Apple para se queixar do sucedido.
Na carta que enviou a Stanborough, a companhia negou qualquer responsabilidade mas ofereceu um reembolso – sob condição de um acordo de confidencialidade. Segundo a carta, caso o residente de Liverpool decidisse “abrir a boca” para falar publicamente sobre o sucedido, a Apple estaria no seu direito de levá-lo a tribunal.
Stanborough achou o tom da carta e da cláusula de confidencialidade bastante ameaçador na medida em que estaria a colocar-se à mercê da empresa de Cupertino caso inadvertidamente algum membro da família falasse a respeito do caso com terceiros e por isso decidiu rejeitar o acordo. Quando questionado a este respeito, um porta-voz da Apple recusou-se a comentar.
Por isso, já sabem: tenham cuidado com o vosso iPod. Nunca se sabe se, quando e onde é que ele poderá explodir
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O vosso iPod pode ser uma bomba http://migre.me/4LA0