Recomeçaram hoje em Seoul, na Coreia do Sul as negociações relativas ao Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA), um tratado internacional que tem vindo a ser negociado ao longo dos últimos dois anos entre Estados Unidos, União Europeia, Japão, Canadá e a própria Coreia do Sul, entre uma série de outros países.
O documento pretende supostamente instituir medidas mais eficazes no combate à contrafacção e à venda de outros produtos falsificados. Isto foi o que a Comissão Europeia garantiu há exactamente um ano atrás. Mas o que é certo é que todas as pistas divulgadas até agora indicam que o seu âmbito vai muito mais longe, abarcando todas as áreas do direito de propriedade intelectual: patentes, marcas registadas e, é claro, direitos de autor.
Aliás, a reunião que tem hoje lugar em Seoul destina-se precisamente a debater a questão da pirataria na Internet. Mas a verdade é ninguém, para além de um pequeno e restrito grupo de pessoas e entidades ligadas às indústrias de entretenimento e de Internet como RIAA, MPAA, Google, eBay, Warner Bros e Sony, sabe ao certo que tipo de medidas é que o documento contém. Até hoje tanto o governo federal dos EUA como o Conselho da União Europeia se têm recusado a responder a todos os pedidos de divulgação dos documentos que lhe servem, argumento que se trata de uma questão de segurança nacional.
Mas não obstante todos os esforços em vedar o acesso dos seus cidadãos ao processo negocial por detrás do ACTA, esta semana o jurista canadiano Michael Geist e o IDG News Service tiveram acesso a “fugas” de informação de algumas das propostas que servem de base ao tratado e que poderão adquirir força de lei dentro de alguns anos. E o balanço não é nada animador para os partilhadores e os defensores das liberdades digitais em geral.
Ao contrário do que tinha sido garantido, o ACTA prevê medidas que poderão afectar o dia-a-dia dos utilizadores comuns da Internet como a obrigação dos fornecedores de acesso à Internet de suspenderem o acesso de banda larga aos partilhadores reincidentes e de implementarem mecanismos de filtragem e bloqueio de conteúdos não autorizados em colaboração com os titulares de direitos.
Mas a principal mudança é que os ISPs deixam de beneficiar de imunidade face a eventuais actividades ilícitas cometidas pelos seus clientes (tal como estabelecido pela DMCA de 1998 dos EUA e pela directiva da União Europeia sobre o comércio electrónico de 2001) para passarem a ser legalmente responsabilizados. Dito de outra forma, eles ficam obrigados a remover proactivamente todos os conteúdos protegidos por direitos de autor em caso de notificação.
Como se isto não fosse suficiente, a ACTA prevê que os ISPs sejam obrigados a suspender a ligação dos internautas que forem apanhados três vezes seguida a infringirem os direitos de autor após serem avisados. Este é o tipo de sistema de resposta gradual que a França acaba de aprovar e que o Reino Unido poderá adoptar em 2011.
Segundo Geist, o plano é fortemente inspirado no acordo de comércio livre assinado no final de Maio de 2007 entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul que no seu artigo 18.10.30 (vi), prevê uma série de obrigações para os serviços de alojamento e ISPs que pretendam beneficiar de imunidade como a cessação dos contratos dos alegados “piratas” reincidentes e a implementação de medidas de filtragem de conteúdos protegidos por direitos de autor. E o que é facto é que de então para cá, esta política tem sido seguida à risca pelo governo de Seoul.
Por último, o acordo contempla ainda legislação contra a circumvenção de medidas de restrição tecnológicas. O que isto quer dizer é que deixará de ser possível contornar as famigeradas DRMs. Seria de esperar que se tentasse estabelecer como contrapartida a obrigação da interoperabilidade das DRMs ou prevesse excepções como o direito ao uso justo (fair use), mas nem sequer isso.
Por as medidas previstas serem tão nefastas para a liberdade dos cidadãos na era digital sem que estes tenham tido até agora o direito de inspeccionar o documento que as integra, a fundação Knowledge Ecology International aliou-se a outras ONGs e decidiu enviar uma carta ao presidente dos EUA Barack Obama apelando-lhe que pusesse cobro ao secretismo em torno das negociações. Quem quiser pode também assinar a petição online que a KEI criou. O autor destas linhas já assinou.
(foto de Rob Simpson segundo licença CC-BY-NC 2.0; foto de Janielle Beh segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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boas,
Mais uma vez onde a tecnologia o permite, usa-se para controlar os cidadãos e os vigiar.
Pergunto-me se também irão responsabilizar os correios CTT por estes entregarem produtos contrafeitos ou mesmo casos de envelopes bomba ou como ocorreu nos EUA com a disseminação de Anthrax.
Já agora também responsabilizam a Brisa por nas suas auto-estradas andarem carros roubados, ou por alguém nas suas autoestradas levar contrabando etc etc?
Já não há paciência para isto! O problema é que as pessoas, os cidadãos andam cegos e acreditam em tudo o que lhes vendem.
Veja-se o caso da Noruega onde tem havido uma corrida tão grande às vacinas da ah1n1 que até há mulheres que não estando grávidas tentam fazer-se passar por forma a terem acesso a estas.
Está tudo louco!
Devem pensar que cortar net ,censurar sites etc.. lhes vai valer de muito!!
Existe vontade de partilhar e vai continuar,na era da net informação voa a velocidade da luz, em que todos users saberam como fazer para ultrapassar estes obstáculos!!
Mais importante e vivermos numa democracia ,em que os paises democraticos se estão tornar ditadores e a manipular tudo que possam para seu proveito "lucros" com chegada da net veio acabar com lucros que a tantos anos ganhavam,agora querem voltar aos lucros a força!!
Obrigar as pessoas a comprar e pior coisa que estão fazer!! Prefiro não comprar mesmo que me apeteça.. nao vai € para algibeira deles!!
Temos o nosso caso.. Portugal anos 90/2004.. ver volta que levou os lucros desses xulos dos CD´S.. veio net ,, bye bye
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Basicamente se eu tivesse então por exemplo uma empresa com as portas sem protecção anti-roubo e afins e as pessoas me viessem gamar todo o recheio a responsabilidade de me proteger seria do governo e afins … e não minha …
Parece-me um bom modelo de negócio …
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