
Em Julho deste ano a Microsoft tinha prometido lançar o seu próprio Spotify killer. Quatro meses depois está finalmente disponível aqui em modo beta. Na verdade, trata-se do relançamento da sua loja de downloads e portal MSN Music no Reino Unido baseado na mesma tecnologia que serve de base à loja concebida para abastecer os leitores portáteis de MP3 Zune (que por enquanto ainda só estão à venda nos EUA).
A novidade é que para além de poderem comprar downloads de música sem DRM (o que por si só já constitui um motivo de regorijo, tendo em conta o passado recente da MS neste campo), os britânicos podem também escutar mais de um milhão de faixas a pedido pertencentes às quatro grandes editoras discográficas (Universal Music Group, Sony Music, Warner Music Group e EMI), de acordo com o Telegraph.
Mas para além disso, será que estes quatro meses de atraso em relação ao previsto valeram a pena? Nem por isso. Não só a ausência de acordos independentes como também o reduzido número de faixas em relação aos 4,5 milhões disponibilizados pela Spotify (já para não falar nos dez milhões de temas que a loja do iTunes tem para venda!) comprometem seriamente a experiência final. Mais ainda, apesar da Microsoft pretender oferecer o streaming ilimitado de todas as músicas, por enquanto essa opção encontra-se reservada a um pequeno número de pessoas que receberam um convite. Todos os restantes estão confinados a míseros excertos de 30 segundos.
Outro aspecto a ter em conta é que a qualidade áudio dos ficheiros comercializados pelo MSN Music é de apenas 192 Kbps (MP3 ou WMA), bastante inferior aos 256 Kbps oferecidos pelo iTunes (AAC) e pela Amazon (MP3). Como se isto não bastasse, a gigante de Redmond decidiu optar por um sistema de pagamentos por créditos que acaba por complicar mais do que simplificar: os utilizadores apenas podem adquirir créditos em pacotes de dez que custam 7,99 libras cada um. Cada um desses créditos dá direito a efectuar um download, ao passo que dez correspondem na maioria dos casos a um álbum.
Será que o MSN Music irá seduzir os fãs de música britânicos? Receio bem que não. Afinal de contas, existem serviços bem mais atractivos como a Spotify que a troco de uma subscrição mensal de 9,99 libras dão direito a ouvir música mesmo a partir de um telemóvel iPhone ou Android e até quando o utilizador não dispõe de uma ligação móvel à Internet.
O mais provável é que esta segunda versão do site venha a acabar como a primeira, que funcionou como serviço de marca branca para a Nokia. No início deste ano a plataforma fechou as portas devido a “mudanças no plano de negócios.” No fim de contas, creio que lá bem no fundo a própria Microsoft não tem muita fé neste serviço. Caso contrário, porque é que ela estaria a negociar uma parceria com o MySpace Music nos Estados Unidos?
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