Sobre

Banner do RemixturesRemixtures.com é um blog assinado por Miguel Caetano sobre a cultura da remistura. Com este espaço, pretendemos criar um posto avançado de observação e reflexão sobre o que de mais recente e interessante ocorre no domínio da cultura livre emergente – netlabels, net-art, P2P, copyleft, Creative Commons, Mash-Ups, remixes – e dos entraves que se colocam ao seu pleno desenvolvimento, no sentido da partilha e reapropriação generalizada do conhecimento. Porque todo o criador não é senão um (re)apropriador das criações de muitos outros.

A cultura da remistura tem as suas raízes numa ecologia musical com vastas ramificações. Só para nos ficarmos pelo último século, podemos apontar uma genealogia que vai desde os blues que emanavam das plantações de algodão ao longo do Delta do Rio Mississippi passando pelos primeiros samples electrónicos da música concreta de Pierre Henry e Pierre Schaeffer no final dos anos 40 e início de 50 ou pelo Hip-Hop que brotou das ruas de Nova Iorque e o Dub dos raggamuffins e sistemas de som da Jamaica, chegando ao techno e house de Detroit e Chicago e culminando nos Mash-Ups da geração MySpace e YouTube.

Estas evoluções culturais colocaram em causa, cada uma à sua maneira, o sistema vigente da propriedade intelectual, em especial, os direitos de autor. Apesar disso, na medida em que na maior parte dos casos se tratavam de subculturas geograficamente restritas, a indústria de entretenimento optou quase sempre por ignorá-las. Isso fez com que, de uma forma paradoxal e implícita, estilos musicais como o blues e o Hip-Hop tenham disseminado os seus memes, técnicas e linguagens próprias para outros géneros mais populares como o Rock e o Pop. Asseguraram assim uma popularização que provavelmente nunca teriam atingido caso tivessem dependido da protecção das grandes editoras e da Lei.

Mas se até há pouco esta cultura se limitava à esfera da música, com os avanços da tecnologia digital da Internet – essa meta-tecnologia que permitiu uma expansão da consciência com poucos antecedentes com dimensão semelhante (escrita e imprensa) – a remistura ampliou-se ao nível do multimédia e à escala global, abarcando virtualmente toda a história documentada da humanidade. Já não se agregam apenas músicas como na época das mix-tapes ou samples, mas também textos (Wikis e RSS), vídeos (YouTube e Google Video), conversas e relações pessoais (Orkut, Facebook, MySpace, Hi5), entre todo o tipo de conteúdo simbólico.

A grande contribuição da Internet advém do seu modelo de funcionamento aberto, transparente e horizontal que permite uma comunicação de muitos para muitos, em contraste com o modelo de broadcasting em que assentaram as indústrias culturais. A informação é trocada entre as pontas, evitando os centros e as hierarquias, tal como sucede no processo de desenvolvimento colaborativo do código informático que integra o software em que assenta toda a infra-estrutura lógica da Rede. Com efeito, a partilha do código também tem a sua própria história, indo desde o Unix original e os protocolos TCP/IP até ao software livre ou aberto como o Linux e Firefox.

É, pois, da interligação entre o conteúdo simbólico e o código lógico que brotou a cultura da remistura a que actualmente assistimos/participamos. Numa época em que a quantidade de informação rica e diversificada aumenta em grau proporcionalmente inverso à nossa capacidade de fazer sentido dela, Remixtures.com tentará, ainda que de uma forma assumidamente parcial, elaborar a história presente deste entrecruzamento incessante de símbolos e dados.

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Paulo Rená da Silva Santarém (prenass) 's status on Friday, 11-Sep-09 17:20:01 UTC - Identi.ca
11 de Setembro de 2009 ás 18:20

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1 nikima 22 de Março de 2009 ás 16:24

Na minha opinião a contracultura no final do século XX e início do século XXI se estabelece por meio da web 2.0 avançando para a 3.0. A cultura da remistura impacta nas bases conceituais das plataformas industrias do século passado que se apresentam como grandes mamutes, carcaças industriais, prestes a ruir.

Acho importante que os músicos estejam mais engajados nas articulações e discussões sobre essas tendências para que passem a interagir mais intesivamente com os webdesenvolvedores e a cultura digital criando uma teia de agentes para criação de soluções via web para novos modelos de negócio no ambiente colaborativo.

No Brasil, esse tipo de interação é quase inexistente e percebo claramente a importância dessa convergência de talentos para a superação das dificuldades de sobrevivência dos músicos e artistas diante do mercado ditatorial das majors, do axé music, do neosertanejo e dos "enlatatados de plantão". Esse blog é uma excelência de conteúdos e nesse sentido colabora decisivamente para essa turbulência promissora.

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2 Paulo Rená 31 de Março de 2009 ás 5:35

Parabéns pelo site, excelente texto de apresentalção.Vou acompanhar suas manifestações.

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