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Archives - Posts tagged as 'capitalismo cognitivo'

Onde está a crise da indústria da música?Publicado 27 Ago 08

Sempre que ouvirem alguém dizer que a indústria da música, não passem cartão. Na maior parte das vezes tratam-se de números relativos à indústria discográfica que apenas reflectem uma pequena parte do bolo total de receitas geradas pela música e que são por isso usados frequentemente como arma de arremesso para justificar o cercear da liberdade dos internautas.

Se quisermos fazer uma análise rigorosa do estado de saúde do negócio da música, temos também que levar em linha de conta várias outras receitas para além das geradas pelas vendas de discos, como as obtidas pelas licenças de exploração cobradas a rádios e televisões que não param de crescer com a multiplicação do número de canais, já para não falar nos media online que contribuem ainda mais para uma verdadeira explosão do número de difusores, logo, pagantes. De facto, talvez não estejamos muito longe da verdade se afirmarmos que a descida das vendas de discos é compensada pelo crescimento dos novos media.

Querem provas? Aqui as têm: há apenas duas semanas referi que a MCPS-PRS Alliance, uma sociedade britânica de gestão colectiva de direitos de autor semelhante à portuguesa SPA, registou um aumento de seis por cento no montante arrecadado em royalties durante o primeiro semestre deste ano (286,1 milhões de libras ou 365 milhões de euros) face a igual período de 2007. 

Mais recentemente, a norte-americana Broadcast Music Inc. (BMI) divulgou pelo 24º ano consecutivo um aumento de receitas. Ao todo, a empresa registou 901 milhões de dólares (613 milhões de euros) cobrados durante o ano fiscal de 2008 terminado a 30 de Junho, o que representa um crescimento de 7,2 por cento em comparação com o ano fiscal anterior, que por sua vez também já tinha representado uma subida de sete por cento face ...

Mountain Dew dá música de borla aos miúdos coolPublicado 23 Ago 08

A Mountain Dew é uma bebida refrigerante pertencente à Pepsi que não se encontra à venda na esmagadora maioria das superfícies comerciais portuguesas. No entanto, nos Estados Unidos ela tornou-se uma das bebidas favoritas dos programadores e dos clubbers devido às elevadas doses de cafeína que cada uma das suas latas contem. Daí que ela concorra directamente com a Red Bull, uma marca que nos últimos anos tem vindo a apostar muito no negócio da música estando mesmo a preparar o lançamento de uma editora discográfica própria.

Contudo, parece que a Mountain Dew se apercebeu da coisa e foi mais esperta: em pouco tempo pegou em duas banda montes de hypadas pelos blogs de MP3, passou-lhes um chequezito para as mãos e meteu-os num estúdio para gravar um tema original. Foi assim que surgiu a Green Label Sound, uma editora online de singles. Muito mais económico e barato do que andar com tanta trabalheira a construir um estúdio profissional de raiz e a descobrir e a formar novos talentos musicais, não acham?

Pois é, e a primeira banda a assinar com a "editora da marca verde" é o duo de hip-hop de Chicago/Detroit Cool Kids que quase toda a gente que visita o agregador de blogs de MP3 Hype Machine já conhece - se até eu que chego sempre atrasado a todos os hypes também já tinha ouvido falar dos Cool Kids! A música chama-se "Delivery Man" e pode ser escutada e descarregada de borla a partir do widget que acompanha este artigo. O fixe é que para termos direito ao download de MP3 - bitrate de 320 kbps! ...

Procter & Gamble lança editora de Hip-Hop Tag Records para promover desodorizantePublicado 20 Ago 08

TAG Records

Aqui há alguns meses atrás a multinacional norte-americana Procter & Gamble juntou-se à famosa etiqueta de Hip-Hop Def Jam Records para lançarem uma nova editora discográfica chamada Tag Records que é presidida pelo rapper e produtor Jemaine Dupri. O nome refere-se precisamente à linha de sprays corporais Tag da P&G. Tive conhecimento desta parceria destinada a conquistar o mercado do Hip-Hop através de uma edição recente do programa All Things Considered da estação pública de rádio norte-americana NPR que aborda justamente esta relação cada vez mais próxima entre a música e a publicidade e que contou com a participação de Eliot Van Buskirk do Listening Post.

Qual é a fronteira-limite que separa a música ou a arte em geral da publicidade? Mas será mesmo que ainda faz sentido estabelecer quaisquer limites numa altura em que as vendas de discos continuam a descer por aí em baixo - eu sei, eu sei, a "malvada pirataria" tem costas largas...? Estas são questões para as quais não existem respostas fáceis nem soluções uniformizadoras porque dependem da moral pessoal de cada um que as toma: o fã de música que decide descarregar álbuns completos a partir de um site de BitTorrent ou o artista que opta por "vender-se" a fabricantes de automóveis ao licenciar todas as suas músicas para spots publicitários.

Por mim, cada um é livre de fazer o que entende desde que deixe os outros serem igualmente livres. Por exemplo, se de repente uma banda decidir vender as suas músicas para refrigerantes, bebidas alcoólicas, marcas de cigarros, cadeias de fast-food e todas as empresas que lhe acenarem com um cheque depois não se admire que os seus fãs percam o interesse pelas músicas. ...

Bacardi cria editora de música onlinePublicado 16 Ago 08

A Bacardi já tinha dado a entender que estava disposta a apostar na música online ao assinar um contrato de 360 graus com o duo britânico de Big Beat Groove Armada no final de Março para a edição de EPs em formatos físicos e digitais e a actuação numa série de eventos pelo mundo fora.

Agora a marca de bebidas alcoólicas acaba de lançar uma espécie de nova editora de música online chamada "The Bacardi Bat Project" (o bat refere-se aqui ao famoso logótipo do morcego da companhia). Digo que é uma espécie porque o projecto não deverá ter um site próprio na Web: a distribuição - gratuita - das músicas encomendadas a artistas ficará a cargo de um leque de blogs de MP3.

De acordo com a Billboard, o Bat Project irá incluir remisturas e faixas de estúdio originais, bem como temas gravados ao vivo. A primeira banda escolhida para estrear o projecto foi o grupo britânico de electro Metronomy com a sua faixa "A Thing For Me" que foi originalmente gravada para uma curta metragem online encomendada pela Bacardi e que foi exibida durante o evento B-Live que teve lugar em Miami no passado mês de Abril.

O modelo de funcionamento deste Bat Project da Bacardi faz-me lembrar o do blog/rede social/netlabel RCRD LBL. A única diferença é que neste caso, a iniciativa abrange vários blogs patrocinados pela mesma marca. Já agora, não era a Red Bull que estava a pensar abrir a sua própria editora de música até ao final do ano? Será que desistiu do projecto ou está apenas em banho-maria? Bem, a verdade é que daqui até ao final do ano ainda falta muito tempo, mas mesmo assim já era altura de sabermos mais alguma ...

Napster continua a sua descida ao fundo dos infernosPublicado 13 Ago 08

Da última vez que escrevi sobre a Napster, a empresa de subscrição de música que deu lugar ao lendário serviço de partilha de ficheiros, a saúde da companhia não era nada famosa: para além de não dar lucro há mais de quatro anos,  alguns analistas diziam mesmo que a empresa valia "mais morta que viva".

Esta semana, a empresa revelou os seus resultados financeiros relativos ao segundo trimestre fiscal deste ano. Apesar da Napster ter começado a vender downloads de MP3 sem DRM no passado mês de Maio, isso não impediu que tivesse registado uma descida das receitas de 5,9 por cento, para os 30,3 milhões de dólares (pouco mais de 20 milhões de euros) face aos 32,3 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros) registados no mesmo período do ano anterior.

As perdas, em contrapartida, aumentaram dos 4,2 para os 4,4 milhões de dólares (de 2,8 para três milhões de euros). O número de assinantes também desceu dos 760 mil registados no final do primeiro trimestre para os 708 mil no fim de Junho. Actualmente, a única esperança da companhia passa pelas novas subscrições dirigidas para os telemóveis e outros dispositivos móvei.

Mas pelo andar da carruagem, a Napster ainda vai acabar por ser comprada pela concorrente Rhapsody antes de surgirem verdadeiros serviços de subscrição e não de mero aluguer de músicas, isto é, assinaturas que permitam que os utilizadores descarreguem ficheiros em formatos sem DRM. Actualmente,

O analista Mark Mulligan da Jupiter Research acha que o mercado das assinaturas só vai animar quando ofertas "grátis" como o Comes With Music da Nokia começarem a oferecer as mesmas funcionalidades que os planos "premium" da Napster e da Rhapsody mas de borla. A questão é que quase ...

Investigadores defendem que serviços de P2P legal devem pagar mais aos utilizadores que distribuem conteúdos a outrosPublicado 12 Ago 08

Nos últimos anos, têm surgido uma série de serviços legais de P2P que pretendem alcançar um equilíbrio que muitos julgavam impossível. Ao mesmo tempo que se comprometem a pagar aos artistas, editoras e outros detentores de direitos, também visam oferecer aos antigos "piratas" incentivos financeiros para utilizarem a sua largura de banda para distribuirem as músicas a outros utilizadores que estejam interessados em adquiri-las de uma forma legal e sem correrem o risco de de serem processados.

Um desses serviços que paga aos utilizadores que distribuem conteúdos a outros é o Grooveshark mas existem outros como o extinto Weedshare - que fechou as portas em grande parte por incorporar DRM nas músicas que distribuía -  e o Peerimpact - igualmente encerrado em grande parte por acorrentar as músicas e filmes que vendia a medidas de restrição tecnológica. De todos, o Grooveshark parece ter sido o mais bem sucedido até agora, precisamente porque fez com que fosse possível comprar os ficheiros de música que outros utilizadores copiaram para os seus discos rígidos.

O Grooveshark começou por pagar 10 cêntimos de dólar por cada faixa de 99 cêntimos ao utilizador que faz o upload original da música mas no final de Outubro de 2007 aumentou a comissão atribuída aos uploaders para os 25 cêntimos. No entanto, um grupo de investigadores norte-americanos em economia, ciências de gestão e tecnologias de informação publicou recentemente um artigo académico intitulado "Dynamic Referrals in Peer-to-Peer Media Distribution" onde argumentam que este valor continua mesmo assim, a ser inferior ao valor óptimo.

Kartik Hosanagar (Escola de Gestão de Wharton da Universidade da Pensilvânia), Yong Tan e Peng Han (ambos da Universidade de Washington) aconselham as empresas de P2P cujos modelos de negócio assentam ...

Apesar dos resultados “assim-assim”, o patrão da Warner Music quer mais dinheiro dos jogosPublicado 8 Ago 08

Edgar Bronfman Jr., CEO da Warner Music Group

O que se passa com as editoras discográficas que elas nunca parecem estar contentes com o sucesso dos outros, mesmo quando os seus resultados financeiros acabam por não ser tão catastróficos como os que os analistas esperavam? Refiro-me em concreto à Warner Music Group.

Ontem, a terceira maior companhia discográfica divulgou as contas relativas ao segundo trimestre fiscal de 2008 que revelam que a empresa conseguiu conter a descida das perdas líquidas: de 17 milhões de dólares (11,33 milhões de euros) registados no mesmo período do ano anterior, a empresa conseguiu apenas registas perdas no valor de 9 milhões de dólares (6 milhões de euros). Por seu lado, as receitas totais até subiram cinco por cento para os 848 milhões de dólares (565 milhões de euros).

Mas o desempenho mais fenomenal foi mesmo o das receitas digitais que subiram 39,3 por cento para um total de 166 milhões de dólares (111 milhões de euros). Neste momento, os downloads digitais e os toques já representam 22,7 por cento das receitas totais da Warner Music. Contrariando a tendência da descida das vendas de música, as receitas derivadas das gravações de música também cresceram 5,1 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para os 686 milhões de dólares (457 milhões de euros) - embora tenham descido 1 por cento se utilizarmos preços constantes como termo de comparação.

"As produtoras de jogos para consolas andam a roubar-nos!"

Tudo isto devia ter caído que nem gingas para o patrão da Warner Music Group, na medida em que a WMG conseguiu superar o desempenho das suas rivais. Mas a verdade é que Edgar Bronfman Jr. está preocupado. Como se não bastasse que os principais êxitos de vendas da editora tenham ...

Distribuidora digital CD Baby vendida à fabricante de CDs e DVDs Disc MakersPublicado 7 Ago 08

CDBaby

Antes do surgimento da TuneCore, distribuição de downloads digitais e CDs de bandas sem contrato e editoras independentes era basicamente sinónimo de CDBaby. Esta empresa de Portland, Oregon (EUA) foi criada por Derek Sivers em 1998.  A companhia garante que desde então já pagou mais de 81 milhões de dólares (53 milhões de euros) a músicos que recorrem aos seus serviços para fazer com que os seus discos cheguem a mais de 2400 lojas de discos nos Estados Unidos.

O preço de venda é fixado pelo artista, que tem direito a receber entre seis a 12 dólares (entre quatro a oito euros) por cada CD vendido. Por seu lado, a CD Baby fica com quatro euros (2,60 euros). Desde 2004 e com o surgimento do mercado de música online, a CD Baby também começou a encarregar-se de distribuir músicas para lojas onlne como a do iTunes, eMusic, Amazon, Napster, Rhapsody, etc. Há cerca de um ano, a companhia lançou também ela própria o seu serviço de venda de downloads de música.

Esta semana, Derek Sivers anunciou no seu blog que decidiu vender a sua empresa por uma quantia não revelada à Disc Makers, uma fabricante de CDs e DVDs que também produz replicadores de CDs E DVDs. A explicação oficial dada por Sivers é que ele pretende dedicar mais tempo aos seus "novos projectos." Não sei é se essa foi apenas uma desculpa inventada para disfarçar eventuais problemas financeiros. Nos últimos meses, a concorrência da TuneCore tem aumentado bastante. Depois de em Fevereiro ter começado também a distribuir CDs, em Junho a companhia desceu ainda mais o preço do seu serviço de distribuição digital.

O fundador da CDBaby referiu ainda que esta mudança de proprietário não irá ...

iTunes continua a ser o maior retalhista de música nos EUAPublicado 6 Ago 08

Durante o primeiro semestre deste ano a loja online do iTunes dominou o mercado da venda de música nos Estados Unidos de acordo com dados da empresa de estudos de mercado NPD Group divulgados ontem baseados numa série de inquéritos realizados a consumidores norte-americanos com idade superior a 13 anos e abrangendo tanto os downloads digitais como suportes físicos como os CDs.

Os resultados destes inquéritos confirmam assim a tendência registada em Janeiro deste ano pela NPD Group segundo a qual o serviço da Apple tinha já conseguido roubar a primeira posição à cadeia de superfícies comerciais Wal-Mart. Actualmente, o Top dos cinco maiores vendedores de música nos EUA encontra-se assim ordenado:

  1. iTunes
  2. Walmart (Walmart, Walmart.com e Walmart Music Downloads)
  3. Best Buy (Best Buy, Bestbuy.com e Best Buy Digital Music Store)
  4. Amazon (Amazon.com e AmazonMP3.com)
  5. Target (Target e Target.com)

De acordo com os analistas da NPD Group, a ascensão da Amazon do quinto para o quarto lugar ficou a dever-se ao facto das vendas de CDs via online registarem actualmente um melhor desempenho do que as vendas de CDs através de lojas físicas bem como ao lançamento da loja de música digital da empresa de comércio electrónico no ano passado.

No entanto, os dados do NPD Group apresentam algumas falhas na medida em que se baseiam apenas no número de unidades vendidas e não nas receitas geradas. Para estabelecer um ponto de comparação, os analistas equiparam as vendas de 12 downloads de faixas individuais a um CD. Por outro lado, esta lista deixa de fora os descarregamentos realizados através de serviços de subscrição como o da eMusic, Napster e Rhapsody.

Seja como for, tendo em conta que tanto a Wal-Mart como a Best Buy já possuem os seus próprios serviços de downloads de música ...

Sony fica com Sony BMG por 775 milhões de eurosPublicado 5 Ago 08

desde Março que se sabia que o conglomerado multimédia alemão Bertelsmann pretendia vender a sua participação de 50 por cento na Sony BMG à sua sócia na segunda maior companhia discográfica, a japonesa Sony. Mas só hoje veio a confirmação oficial. O montante da transacção é de 1,2 mil milhões de dólares ou 775 milhões de euros. Se este valor é inferior aos 1,5 mil milhões de mil de dólares (quase mil milhões de euros) inicialmente exigidos pela Bertelsmann, ao mesmo tempo também é superior aos 600 milhões de euros que a fabricante de consumíveis electrónicos tinha dito há semanas atrás que estava disposta a desembolsar.

A nova empresa terá a designação de Sony Music Entertainment Inc. (SMEI) e será uma subsidiária da  Sony America. Convém, no entanto, salientar que o acordo precisa ainda de ser aprovado pelas entidades reguladoras o que deverá levar ainda algum tempo. Basta lembrarmo-nos que a fusão da Sony Music com a BMG da Bertelsmann de Agosto de 2004 ainda não foi aprovada pelos eurocratas.

Segundo os termos financeiros do acordo, a aquisição irá decorrer em duas fases: primeiro, a Sony BMG irá gastar 600 milhões de dólares (388 milhões de euros) para comprar uma parte da participação da Bertelsmann; em seguida, a Sony pagará outros 600 milhões de dólares para adquirir o que faltar.

No entanto, ambas as partes concordaram em continuar a dividir a infra-estrutura de fabricação e distribuição da ex-Sony BMG entre a Sony (por intermédio da Sony DADC) e a Arvato Digital Services GmBH, uma empresa de serviços da Bertelsmann durante pelo menos mais seis anos. Do mesmo modo, a Bertelsmann irá assumir os direitos de um pequeno leque de artistas europeus da Sony BMG que no ano passado representaram um ...