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Archives - Posts tagged as 'copyleft'

Documentário explica modelos de negócio abertosPublicado 1 Jul 08

É possível ganhar dinheiro oferecendo conteúdos de borla? Claro que sim. Aliás, já aqui expliquei como é que isso é possível recorrendo a licenças livres como as Creative Commons. Caso não estejam convencidos, a história da editora de música livre Magnatune constitui um formidável estudo de caso.

Apesar da companhia discográfica online também comercializar música directamente aos fãs de música - tendo mesmo introduzido no passado mês de Maio um serviço de subscrição mensal para downloads ilimitados que custa 18 dólares por mês (12 euros) -, a sua grande fonte de receitas consiste no licenciamento de temas para inclusão em anúncios publicitários, filmes e séries de televisão.

Mas tal como todos os projectos de conteúdos abertos que dão certo, não se pense que a Magnatune é um projecto concebido às três pancadas por ingénuos bem intencionados sem experiência anterior na área do empreendedorismo. Muito pelo contrário, a empresa foi criada em 2003 por John Buckman, na altura director-executivo da Lyris, uma empresa de software de marketing por email.

Para saberem mais sobre a história da Magnatune e quem sabe até retirar alguns ensinamentos da experiência desta editora online, aconselho-vos a verem o vídeo que acompanha este artigo e que tem a duração de dez minutos. Nele, Buckman explica em traços largos o modelo de negócio da empresa e de que forma é que ele tentou adaptá-lo à BookMooch, a sua mais recente iniciativa - lançada em Agosto de 2006. A BookMooch é uma comunidade online sem fins lucrativos destinada à troca de livros usados que empresa um sistema de pontos: os membros ganham pontos de cada vez que acrescentam livros ao seu catálogo, enviam livros a outros membros ou efectuam críticas ou comentários aos livros recebidos. Quando acumulados, esses pontos podem ser convertidos em ...

IsoHunt distribui artistas do JamendoPublicado 15 Jun 08

IsoHunt & Jamendo

"As Creative Commons são o futuro do IsoHunt", afirmou Gerry Fung, o admnistrador e responsável pelo site de BitTorrent numa mensagem publicada em Dezembro de 2007. Com efeito, na semana passada o IsoHunt deu o primeiro grande passo no sentido de aderir aos conteúdos disponibilizados segundo licenças livres ao anunciar uma parceria como o Jamendo, o portal de música livre.

Neste momento, o IsoHunt já disponibiliza quase 20 mil torrents que representam as mais de 150 mil músicas do catálogo do Jamendo publicadas segundo licenças Creative Commons. De acordo com o que Fung refere no fórum do site (via P2P Blog), os torrents com origem no Jamendo surgem destacados a branco na lista de resultado. A lista completa está disponível aqui.

As páginas de descrição dos torrents incluem não só a imagem de capa do lançamento bem como todos os metadados correctos (nome do artista, álbum, etiqueta, data de lançamento, licença, codec de áudio, tamanho do disco, tempo de duração, número de faixas, fonte dos ficheiros) e links para mais informação no Jamendo.

The Heavens no IsoHunt

Tendo em conta o processo instaurado pela Associação da Indústria Cinematográfica Norte-americana (MPAA) ao IsoHunt - e que levou mesmo Gary Fung a bloquear o acesso dos utilizadores residentes nos EUA ao site -, esta parceria com o Jamendo é uma boa forma de fazer passar uma imagem de legitimidade do site junto dos detentores de direitos. Não me parece é que isto seja suficiente para acalmar a fúria da RIAA.

Ainda a propósito do Jamendo, o portal de música livre acaba de lançar um novo conjunto de widgets em tons de laranja que podem ser utilizados para reproduzir ...

Download grátis do livro O Dilema do PirataPublicado 9 Jun 08

Pirateia este livro

Matt Mason não se limitou a escrever um livro sobre o modo como a partilha de ficheiros e o software livre estão a transformar a estrutura económica das sociedades mais avançadas. À boa maneira pirata, ele acaba de disponibilizar o download grátis do seu livro The Pirate's Dilemma: How Youth Culture is Reinventing Capitalism ( "O Dilema do Pirata: Como a Cultura Jovem está a Reinventar o Capitalismo") no seu site.

Seguindo o modelo dos Radiohead, o leitor é que decide quanto é que quer pagar pelo livro, tendo apenas que indicar o seu endereço de correio electrónico. A primeira vez que fiz uma referência ao The Pirate's Dilemma foi em Janeiro passado, a propósito da tradução de um artigo de apresentação do livro.

O currículo de Mason é por si só uma prova de que estamos perante uma das pessoas mais indicadas para escrever sobre o tema da "pirataria" e da guerra pela propriedade intelectual. Manson começou como operador de uma rádio pirata e DJ de clubes da cena nocturna de Londres e mais tarde tornou-se jornalista de música.

No livro, ele explica de uma forma acessível ao cidadão comum quais as implicações que a cultura e o software livre e o livre acesso a um vasto manancial de informação via online estão a gerar no dia-a-dia das sociedades um pouco por todo o mundo.

Segundo o autor, da mesma forma que o Hip-Hop se tornou um fenómeno global nos anos 80 graças ao movimento imparável da partilha de mixtapes e samples entre DJs e produtores iniciado em Nova Iorque na década anterior, também a disponibilização de software e documentação de apoio segundo um modelo livre e grátis por parte dos hackers do software livre aliada à partilha de música e outros conteúdos multimédia ...

Gilberto Gil defende Cultura do P2P no Google ZeitgeistPublicado 23 Mai 08

GIlberto Gil

Gilberto Gil, o músico, anunciou recentemente o seu novo disco Banda Larga Cordel. O álbum sairá a 17 de Junho e irá incluir 16 faixas. Na segunda-feira, Gilberto GIl, o MInistro da Cultura do Brasil, fez um discurso na conferência Google Zeitgeist, em Watford (Reino Unido) que todos os políticos portugueses deviam ler - quase que aposto que nem sequer os assessores vão ler, mas enfim... - (via Joi Ito - tradução do inglês para português da minha responsabilidade):

"Desde 2003, quando tomei posse como Ministro da Cultura do Brasil, temos encarado as Tecnologias Digitais como um fenómeno cultural. Nós no Ministério temos insistido no papel estratégico da cultura enquanto forma de fazer política. Isto obrigou-nos a alterar radicalmente a forma de conceber a Política, o Estado e a Sociedade, em especial no que diz respeito à tecnologia digital.

Na política e sobretudo nos governos, as transformações radicais são apenas possíveis em determinados momentos históricos. Através da inserção da Cultura e da diversidade cultural enquanto actividade política, oferecemos à sociedade a oportunidade de alcançar uma mudança radical, passo a passo, usando regularmente os contributos das novas tecnologias industriais e sociais e evitando os terramotos da acção revolucionária clássica. Se observarmos as novas possibilidades digitais, podemos facilmente concluir que elas já constituem instrumentos revolucionários por si próprias. As iniciativas no domínio da Cultura Digital podem desempenhar um papel fundamental de desestabilização da inércia da política tradicional que fez com que a sociedade se afastasse da vida pública, gerando assim um vácuo de pensamento político crítico e chegando até a gerar cinismo, em especial nos sectores governamentais. Precisamos de reconhecer que a política tradicional não está a conseguir fazer avançar a democracia e o desenvolvimento social.

A adesão às tecnologias digitais criou em torno ...

Musopen coloca mais música clássica no domínio públicoPublicado 23 Mai 08

É bom sinal quando um projecto de cultura livre continua a dar cartas após vários anos de existência. Em Dezembro de 2006 escrevi aqui sobre o MusOpen, um site que se dedica a disponibilizar obras de música clássica que já caíram no domínio público - logo, podem ser livremente utilizadas e partilhadas por todos. Estas obras podem ser descarregadas gratuitamente no formato MP3.

Pois bem, o MusOpen não só continua em actividade como também introduziu recentemente uma nova versão e acrescentou uma série de outras novidades. Um dos destaques vai para um novo sistema de financiamento de gravações de obras de modo a contornar os obstáculos impostos pelos direitos conexos.

Com efeito, apesar de todas as partituras escritas por Mozart já se encontrarem desde há muito no domínio público - tendo em conta que os direitos de autor expiram passados 70 anos após a morte do autor - isso não quer dizer que qualquer pessoa possa pegar num CD qualquer com os melhores êxitos de Mozart e utilizá-los como base para uma remistura ou banda sonora de um filme amador.

Isto porque grande parte das gravações comercialmente disponíveis encontram-se ainda protegidas pelos direitos conexos, relativos aos direitos dos produtores de discos e intérpretes cujo prazo de validade no continente europeu é de 50 anos a contar a partir do início da distribuição pública da gravação.

Dado que a qualidade destes registos sonoras que já caíram no domínio público, o MusOpen teve a ideia de lançar um sistema em que os utilizadores que pretendam ver certas obras gravadas por músicos profissionais podem solicitar a ajuda de outros utilizadores para pagar a esses intérpretes. As gravações daí resultantes são posteriormente disponibilizadas no site para que todos as possam descarregar. Um dos feitos mais recentes ...

Remisturem e redistribuam este filmePublicado 23 Mai 08

Viram o documentário sobre o movimento da cultura livre Steal This Film 2? Gostaram mas acharam que podiam fazer melhor do que a equipa da League of Noble Peers? Pois esta é a vossa oportunidade. Os responsáveis pelo projecto acabam de disponibilizar todas as imagens em bruto que serviram de base ao filme.

No site Steal This Footage é possível encontrar quase três horas de gravações relativas a 11 dos entrevistados que aparecem no filme, entre os quais Yochai Benkler, Brokep (Pirate Bay), Erik Dubbelboer (Mininova), Dan Glickman (MPAA) Fred Von Lohmann (Electronic Frontier Foundation), Brewster Kahle (Internet Archive), Lawrence Liang, Eben Moglen, Howard Rheingold e Siva Vaidhyanathan, entre outros.

Muitas dessas filmagens não foram integradas no filme devido a limitações de tempo. Agora, elas podem ser pesquisadas através do recurso a um motor de busca assente na transcrição textual de todas as entrevistas. Desta forma, se o termo que pesquisarmos for encontrado o site irá indicar-nos o caminho para a cena onde esse termo é referido. Esta funcionalidade baseia-se na tecnologia utilizada pelo projecto 0xdb - uma base de dados pesquisável de informação sobre filmes disponíveis em redes P2P - e no site Pad.ma - um arquivo online de vídeos não editados.

Uma vez que os vídeos se encontram disponíveis segundo uma licença Creative Commons BY-SA 3.0, qualquer pessoa pode pegar nesses imagens e remisturá-las e integrá-las nos seus próprios projectos tanto para uso não comercial como não comercial desde as obras criadas a partir dessas imagens sejam publicadas nas mesmas condições.

Os vídeos podem ser descarregados via BitTorrent no formato Hdv 1080i de elevada qualidade ou no mais levezinho Ogg Theora. Esta última versão pode também ...

Magnatune lança serviço de subscrição para downloads ilimitadosPublicado 9 Mai 08

Magnatune

Se as grandes editoras discográficas não avançam com os seus planos para uma tarifa plana, porque haverão as empresas com modelos de negócio abertos hesitar em tomar a dianteira? 18 dólares por mês (cerca de 12 euros) é a quantia que John Buckman, o patrão da Magnatune, está a pedir a quem quiser descarregar os mais de 600 álbuns pertencentes ao catálogo da editora online de música livre - exclusivamente publicada segundo licenças Creative Commons - mas com fins comerciais que divide todas as receitas obtidas com as vendas a meias com os artistas.

Os assinantes terão a possibilidade de escolher entre uma série de formatos áudio, desde MP3 VBR a WAV (qualidade de CD), passando por FLAC, OggVorbis e AAC - todos sem qualquer tipo de protecção anti-cópia. Os álbuns incluem ainda um PDF com a capa e imagens artísticas do disco. Para além da assinatura mensal, existe também uma subscrição vitalícia que custa 294 dólares (190 euros) que, se em termos puramente económicos, não faz muito sentido é sempre uma boa forma de ajudarem aqueles artistas que apreciam. Se quiserem saber mais pormenores, podem consultar a secção de perguntas mais frequentes.

Outra oferta recentemente introduzida pela Magnatune que me parece bem menos vantajosa é a assinatura que permite escutar via streaming todas as músicas do catálogo da editora mediante o pagamento de nove dólares mensais (cerca de seis euros). Isto porque já é actualmente possível fazer streaming de todas as músicas disponibilizadas pela Magnatune. As únicas vantagens que esta modalidade oferece são uma qualidade áudio superior à oferecida quando se ouve as músicas partir do site ou através de leitores de música como o Amarok e o Rhythmbox (160 Kbps ...

Magnatune e Amarok: a música livre também dá dinheiroPublicado 30 Abr 08

O Amarok é, na minha modesta opinião, o melhor leitor de música para um computador pessoal - melhor ainda que o iTunes da Apple. No entanto, grande parte dos fãs de música continuam a desconhecê-lo. Em grande parte, devido ao facto de ter sido desenvolvido para Linux. É verdade que já existe uma versão para Windows (com um tamanho de 200 MB!!), mas neste momento o projecto ainda se encontra numa fase alfa.

No Verão passado, referi aqui que a Magnatune, uma editora online de música livre mas com fins comerciais que publica álbuns segundo licenças Creative Commons e divide a meias com os artistas as receitas das vendas, tinha contratado um programador do Amarok, Nikolaj Hald Nielsen, para optimizar a integração da loja online da Magnatunes com a próxima versão 2.0 do Amarok que, se tudo correr bem, já será totalmente compatível com Windows e Mac.

A colaboração entre a Magnatune e o Amarok teve início há ano e meio, quando o leitor de música de código-fonte aberto passou a integrar o catálogo da editora online, permitindo ouvir integralmente as músicas com uma qualidade razoável (MP3 de 128 Kbps) e comprar versões de maior qualidade (MP3, FLAC, Ogg Vorbis ou WAV) directamente a partir do programa. Nos termos do acordo, John Buckman, o fundador da Magnatune, comprometeu-se a doar 10 por cento de todas as vendas realizadas a partir do Amarok para o projecto.

Através do blog da Creative Commons, fiquei a saber que Buckman anunciou recentemente que o Amarok já gerou 11.557 dólares (7432 euros) de vendas para a Magnatune. 10 por cento desse montante - isto é, 1155,70 dólares (743,21 euros) foram já doados pelo empresário ...

VODO: doações voluntárias via P2PPublicado 23 Abr 08

VODO

Existe um preconceito por parte da opinião pública que consiste em rotular todos os utilizadores de redes de partilha de ficheiros de, senão de ladrões, pelo menos de egoístas interessados em apenas em obter o acesso imediato gratuito a todo o tipo de conteúdos. Daí que muita gente advogue (hipocritamente) a adopção de leis e tecnologias que tentem restabelecer a escassez artificial que vigorava antes da massificação do P2P e que contribuiu para a constituição da indústria de entretenimento tal como a conhecemos.

O que essas pessoas não percebem é que é impossível voltar atrás e tapar as fugas de água. De facto, o conceito de propriedade intelectual parece corresponder mais a um navio prestes a afundar-se do que a outra coisa qualquer... Mas não será mais realista resignarmo-nos à nova era de abundância digital que a possibilidade de reprodução ilimitada de conteúdos abre e tentar encontrar formas de recompensar os criadores que rompem de vez com o modelo de negócio tradicional de distribuição?

Os elementos da League of Noble Peers, a equipa que produziu os documentários Steal This Film I e Steal This Film II, acreditam que sim e nesse sentido encontram-se a desenvolver um sistema de software que visa oferecer aos criadores a possibilidade de serem recompensados pelo seu trabalho através de doações voluntárias realizadas pelos utilizadores a partir de sites, redes de P2P, aplicações de media, etc. - onde quer que as obras desses criadores sejam partilhadas.

O VODO (Doações Voluntárias para a Geração Pós-Propriedade Intelectual) pretende ser justamente essa solução. O projecto foi anunciado por Jamie King durante a conferência Economies of the Commons que teve lugar de 10 a 12 de Abril em Amesterdão. David Bollier blogou a respeito deste evento no On The Commons, numa ...

Colectivo brasileiro Re:combo morreuPublicado 4 Mar 08

Colectivo Re:combo - da periferia para o centro

Há movimentos e colectivos cuja razão de ser desaparece quando os seus princípios e objectivos se massificam e atingem o âmago da sociedade. Quando isso acontece, o processo de  dissolução é quase sempre imediato e inevitável.

Foi o que aconteceu com o colectivo Re:combo. Surgido em 2002 na cidade brasileira de Recife (estado de Pernambuco) começou por ser um grupo de músicos, artistas plásticos, designers, programadores, DJs e profissionais de vídeo unidos pela valorização da colaboração, da reciclagem artística e da remistura através da produção conjunta de músicas, vídeos e instalações.

Mas em poucos anos tornou-se uma plataforma online distribuída pela rede, chegando a contar com participantes em vários cantos do Brasil, para além de outros países do mundo. O Re:combo chegou mesmo a organizar jam sessions intercontinentais em tempo real com DJs da Alemanha e Roménia.

Nesse sentido, eles foram os pioneiros de muita coisa que se seguiu depois como o ccMixter e outros sites de colaboração online entre músicos. Mais importante do que isso, o Re:combo foi um dos primeiros movimentos a iniciar o debate sobre a cultura livre, a flexibilização dos direitos de autor sob a forma do copyleft e a cultura livre, tendo mesmo a sua Licença de Uso Completo Re:combo (LUCR) inspirado a Creative Commons na criação das licenças CC-Sampling.

Infelizmente, ontem dei de caras com um post de André Lemos no seu Carnet de Notes informando-me que a Zona Autónoma Temporária chamada Re:combo chegou ao fim. Da mensagem enviada pela equipa do projecto:

No dia 5 de fevereiro, durante a terça-feira de carnaval de 2008, como última ação coletiva, distribuida e organizada, membros do Re:combo espalhados pelo Brasil e pelo mundo, celebraram, cada um ao seu ...