Archives - Posts tagged as 'crowdsourcing'
Marillion triplicam vendas de discos após lançamento grátis via BitTorrentPublicado 25 Set 08
Quando os Radiohead lançaram a sua experiência "pague-o-que-quiser" com In Rainbows, os "velhos do Restelo" da indústria discográfica não demoraram a desdenhar do esquema, dizendo que nunca iria funcionar com outra banda com uma menor projecção global do que Thom Yorke e companhia, uma vez que poucos grupos têm uma legião de fãs dispostos a pagar montes de dinheiro por edições especiais de luxo. Alguns meses mais tarde, o manager dos U2 Paul McGuinness chegou mesmo a dizer que a iniciativa constituiu um fracasso uma vez que a maioria dos fãs optou por descarregar o disco a partir de sites de torrents.
Pois não faria nada mal se esses críticos pusessem os olhos noutra experiência bastante semelhante. Há cerca de duas semanas atrás, o grupo de Rock progressivo Marillion teve a ideia de disponibilizar o seu 15º álbum de estúdio, Happiness Is The Road, através de sites e redes de P2P como o Pirate Bay e o MiniNova. E a avaliar pelos dados do empresário da banda Erick Nielsen, a estratégia seguida parece ter corrido bastante bem uma vez que as vendas da edição física dos disco em comparação com o álbum anterior.
Isto apesar dos protestos de alguns fãs - os ficheiros encontravam-se no formato Windows Media Audio, de modo a permitir que a empresa Music Glue contratada pela banda para tratar da distribuição do disco inserisse um widget com uma videomensagem dos elementos do grupo.
Falando durante a conferência EconMusic organizada pelo PaidContent esta terça-feira em Londres, Erik Nielsen referiu ainda alguns dados sobre a estratégia de recolha de fundos junto dos fãs que permitiu que a banda gravasse o álbum sem o recurso a qualquer editora convencional. "Nós concluímos que precisávamos de cinco mil fãs ...
Bandstocks: investe na banda que alguém escolheu por tiPublicado 28 Ago 08

Como se já não bastassem as inúmeras cópias do SellaBand que se pode encontrar actualmente na Web, eis que surge mais um desses clones de seu nome Bandstocks. O funcionamento consiste basicamente no mesmo tipo de crowdfunding: os fãs de música podem investir um mínimo de dez libras numa banda sem contrato e quando esse grupo conseguir recolher um montante previamente definido o dinheiro é usado para gravar e promover um álbum.
Mas ao contrário do SellaBand e dos seus múltiplos clones, o Bandstocks pretende distinguir-se pela qualidade, pelo que nem todo o artista que se inscrever e fizer o upload de músicas pode beneficiar dos investimentos efectuados pelos fãs. Os organizadores do site implementaram um "mecanismo de controlo de qualidade" de modo a filtrar aquelas bandas que na sua opinião não prestam. É claro que essa selecção subjectiva pode funcionar como uma garantia adicional para os investidores de que o seu dinheiro irá para um grupo com reais possibilidades de se tornar um sucesso de vendas.
Mas vendo as coisas por outro prisma, isto não passa de uma deturpação do conceito original de crowdfunding em que o público que tem a possibilidade de escolher quais as bandas que merecem o seu dinheiro. O que este processo de selecção do BandStocks traz é apenas mais uma barreira artificial de intermediação. De momento, os fãs apenas podem investir em duas bandas, os frYars e os Jersey Budd.
Quanto às regalias que o site oferece aos fãs, estas incluem um download grátis do disco a editar, o direito a comprar uma edição limitada e autografada do CD a um preço de desconto e a ver o seu nome incluído na primeira edição do álbum, bem como a possibilidade de adquirir antes do público ...
SellaBand licencia música para anúncios e cinemaPublicado 25 Ago 08

Há mais uma razão para os artistas sem contrato que pretendem gravar um disco num estúdio profissional e promovê-lo a nível global aderirem à SellaBand, uma editora comunitária que substitui o papel tradicional de filtro exercido até agora pelos executivos da indústria discográfica pelos próprios fãs que ajudam financeiramente as bandas a concretizar esse objectivo.
A partir de agora eles vão poder licenciar a sua música pra filmes, programas de televisão e anúncios graças a um acordo estabelecido entre a empresa sediada em Amesterdão e a YouLicense, a companhia israelita que mantém um site que funciona como um mercado de licenciamento online de músicas.
Eu já me tinha apercebido de algo quando reparei que os Nemesea, a primeira banda a recolher 50 mil dólares de fãs em partes de dez dólares através do SellaBand, tinham algumas faixas disponíveis para licenciamento no YouLicense. Á primeira vista, parece-me que vantagem comparativa das bandas pertencentes ao SellaBand que já conseguiram gravar um disco face aos outros grupos registados no YouLicense é que as primeiras obtêm uma maior visibilidade e destaque na página inicial mas também é possível que elas beneficiem de um desconto em relação à comissão de nove por cento cobrada aos licenciadores.
O licenciamento das músicas abrange não só os direitos de autor sobre os temas mas também a utilização das gravações originais. Enquanto que neste último caso, as receitas obtidas são divididas irmamente entre o artista, fãs ("crentes") e SellaBand, no que diz respeito aos direitos de publishing sobre as músicas, 30 por cento das receitas vão para o compositor, 30 por cento para o autor da letra, 30 por cento para a SellaBand e 10 por cento para o produtor do disco.
Até ao momento, o sistema de ...
ForMyBand - "apoia os artistas e ganha dinheiro"Publicado 28 Jul 08
Está online desde o final de Maio, chama-se ForMyBand e é mais um site que se propõe a funcionar como uma editora comunitária. Fiquei-o a conhecer através do Twitter do Borey Sok. Os seus criadores são os empreendedores alemães Benjamin Uebel e Robert Kunze. O modelo de funcionamento do ForMyBand não difere substancialmente do SellaBand ou SliceThePie que permitem que os fãs ajudem os artistas a gravar um álbum e ainda ganhem dinheiro com as vendas.
A grande diferença é que aqui o fã pode investir apenas um euro, ao contrário dos outros que estabelecem uma fasquia mínima mais elevada (10 dólares no caso do SellaBand ou cinco libras no caso do SliceThePie). Outra diferença é que o artista tem a liberdade de escolher quanto é que precisa para gravar um álbum dentro de um leque que vai dos 1.000 euros aos 100.000 euros, de acordo com o que se pode ler aqui. Do mesmo modo que os investidores podem remover a qualquer momento o dinheiro que investiram ou transferi-lo para outro artista, também as bandas podem a qualquer momento abandonar o ForMyBand.
Quando a meta fixada pelo artista for alcançada, o disco é gravado num estúdio profissional com a ajuda de produtores e técnicos de som. No final, as músicas são distribuídas por uma série de lojas online de todo o mundo. Do total das receitas geradas com as vendas, 40 por cento vai para o bolso do artista, outros 40 por cento para o fã, 10 por cento para o ForMyBand e outros 10 por cento para o retalhista online. Neste momento, o site já conta com cerca de 280 artistas registados.
Um ponto positivo a destacar nas páginas de artistas ...
AKAmusic: querem dinheiro para gravar um single ou um álbum?Publicado 16 Jul 08
E a moda dos sites de crowdfunding de música em que são os fãs que financiam os artistas não dá sinais de diminuir de popularidade tão cedo. À excepção de algumas ligeiras alterações, o modelo de inspiração é sempre basicamente o mesmo: SellABand. Pudera! Se os responsáveis pela empresa sediada em Amesterdão receberam um investimento de cinco milhões de dólares em Abril... Em Fevereiro abordei aqui quatro desses sites direccionados para o mercado francófono: MyMajorCompany, Spidart, NoMajorMusik e ProduceMyLive.
Através do Musique 2.0 do Borey Sok fiquei a conhecer mais um: AKAmusic. Até há pouco tempo conhecido por Yakamusic, este site foi criado em Março deste ano pelos irmãos belgas Jean-Marc e Greg Goemare, que foram também os fundadores do Scoopeo, uma plataforma de crowdsourcing de notícias semelhante ao Digg em que são os membros da comunidade que decidem quais as estórias que aparecem na primeira página, consoante o número de votos recebidos.
O site oferece dois modelos de financiamento à escolha: um em que os artistas se propõem a recolher 15 mil euros em doações para gravar um single e outro em que o objectivo consiste em recolher 50 mil euros para gravar um álbum. Por seu lado, os fãs podem adquirir uma "parte" por cinco euros no caso do single ou de 10 euros no caso do álbum. Depois de alcançada a meta fixada por um artista, o disco é comercializado em formato digital a partir do site, bem como de outras lojas online como a do iTunes. Em troca, os investidores recebem um CD de edição limitada de ...
WeMix, a “sabedoria das multidões” aplicada à músicaPublicado 30 Mai 08

O WeMix é um site criado pelo rapper Ludacris em parceria com a produtora de conteúdos audiovisuais MegaMobile TV que funciona como um misto de rede social e comunidade online de descoberta de novos talentos no mundo da música. A Digital Music News apresenta-o como sendo mais uma plataforma online de crowdfunding, à semelhança do Sellaband ou do Slicethepie mas a verdade é que como o Marcos Marado refere, o WeMix não inclui - pelo menos por agora - qualquer componente de financiamento dos artistas pelos fãs
É claro que, tal como a maioria dos sites actuais de promoção de novas bandas, o WeMix oferece aos artistas a possibilidade de criarem páginas de perfil e fazer o upload de músicas. Uma vez que se trata de uma comunidade dirigida para os fãs de Hip-Hop e Rap, os artistas também podem fazer o upload de riffs, batidas e rimas de modo a que outros utilizadores possam combinar esses elementos e acompanhá-los com vídeos numa secção chamada Mashpit.
A partir daí, as músicas podem ser aprovadas (mix it) ou rejeitadas (fix it) pelos utilizadores. As faixas com mais votos a favor surgem na página principal em local de destaque. Este modelo de "sabedoria das multidões" baseado no agregador de notícias Digg faz-me lembrar o do urSESSION que é também uma comunidade online fundada por um artista, neste caso Shavo Odadjian, baixista dos System Of A Down.
No caso do WeMix, os artistas mais populares terão eventualmente a hipótese de gravar com Ludacris e outros nomes estabelecidos do mundo do Rap, bem como de fazer parte de um programa de televisão. O site inclui outras funcionalidades como uma aplicação de voicemail ...
Musopen coloca mais música clássica no domínio públicoPublicado 23 Mai 08

É bom sinal quando um projecto de cultura livre continua a dar cartas após vários anos de existência. Em Dezembro de 2006 escrevi aqui sobre o MusOpen, um site que se dedica a disponibilizar obras de música clássica que já caíram no domínio público - logo, podem ser livremente utilizadas e partilhadas por todos. Estas obras podem ser descarregadas gratuitamente no formato MP3.
Pois bem, o MusOpen não só continua em actividade como também introduziu recentemente uma nova versão e acrescentou uma série de outras novidades. Um dos destaques vai para um novo sistema de financiamento de gravações de obras de modo a contornar os obstáculos impostos pelos direitos conexos.
Com efeito, apesar de todas as partituras escritas por Mozart já se encontrarem desde há muito no domínio público - tendo em conta que os direitos de autor expiram passados 70 anos após a morte do autor - isso não quer dizer que qualquer pessoa possa pegar num CD qualquer com os melhores êxitos de Mozart e utilizá-los como base para uma remistura ou banda sonora de um filme amador.
Isto porque grande parte das gravações comercialmente disponíveis encontram-se ainda protegidas pelos direitos conexos, relativos aos direitos dos produtores de discos e intérpretes cujo prazo de validade no continente europeu é de 50 anos a contar a partir do início da distribuição pública da gravação.
Dado que a qualidade destes registos sonoras que já caíram no domínio público, o MusOpen teve a ideia de lançar um sistema em que os utilizadores que pretendam ver certas obras gravadas por músicos profissionais podem solicitar a ajuda de outros utilizadores para pagar a esses intérpretes. As gravações daí resultantes são posteriormente disponibilizadas no site para que todos as possam descarregar. Um dos feitos mais recentes ...
Como a Web pode ajudar a ganhar dinheiro com a músicaPublicado 22 Mai 08

Tenho-me fartado de escrever por aqui sobre diversas formas dos artistas tirarem partido da Web para ganharem a vida, através do financiamento pelos fãs, mas parece-me que muita gente continua a não levar a sério estas iniciativas, a avaliar pelo silêncio a que os meus artigos sobre este tema são vetados. Talvez pensem que se tratam de "experiências" vâs que nunca poderão ser adaptadas a um cenário lusófono - já não digo português, para não me chamarem de louco varrido... Mas olhem que não. Uma banda com talento pode mesmo ganhar muito dinheiro através da Web.
Senão vejamos: na editora comunitária Sellaband os metaleitos nipónicos Electric Eel Shock conseguiram a proeza de recolher 20 mil dólares em doações dos fãs em apenas dez dias depois de se juntarem ao site. Com 25930 dólares angariados até ao momento, já só lhes falta menos de metade para atingir os 50 mil dólares e poderem gravar um álbum num estúdio.
Provando que é ainda possível juntar mais dinheiro num período de tempo mais curto, a rapper francesa Agonie conseguiu obter os 70 mil euros exigidos pela MyMajorCompany, uma das quatro labels comunitárias francófonas. Agonie inscreveu-se no site a 5 de Maio e a 17 de Maio já tinha conseguido o dinheiro necessário para entrar em estúdio.
Quem achar que este modelo de crowdfunding - financiamento pelos fãs - apenas faz com que novos intermediários ocupem o lugar dos antigos (as editoras discográficas tradicionais), não poderia estar mais enganado. Para não dizer que estou sempre a tirar da cartola os exemplos de bandas mais estabelecidas como os Radiohead e os Nine Inch Nails que ...
O Milagre da Multiplicação dos LápisPublicado 15 Mai 08

Este artigo surge um pouco de forma inusitada no contexto da programação habitual do Remixtures. Creio, contudo, que não destoa totalmente do conteúdo editorial regular uma vez que pretendo falar sobre propriedade intelectual, esse fantasma que nos continua a atormentar até aos dias de hoje mas que não passa de um oxímoro, uma vez que ninguém pode ser literalmente dono de uma ideia e que ela só adquire valor a partir do momento em que eu a exprimo e a liberto para o mundo.
Daí que eu tenha ficado chocado quando dei de caras com a seguinte afirmação de Luís Valadares Tavares, reputado professor catedrático do Instituto Superior Técnico, proferida ao repórter da agência LUSA:
"Se um aluno rouba um lápis a outro é condenável, mas se um aluno faz um download ilegal de uma música, por exemplo, então já não é tanto"
Confesso que depois de ter lido esta frase fiquei um tanto ou quanto indignado. Afinal, os esforços encetados até agora para desmascarar essa analogia deplorável foram completamente ignorados pela elite académica nacional. Afinal, não serviu de nada explicar que o P2P não rouba nada a ninguém porque ninguém é financeiramente lesado, que aqueles a quem Valadares Tavares apelida de ladrões compram mais música e que os deputados do Parlamento Europeu também são da opinião que "partilhar e copiar não é roubar".
Às vezes, o choque com os constrangimentos mentais e culturais da sociedade em que nos inserimos é demasiado duro. Aí damos-nos conta de que é preciso recomeçar de novo a cada dia que passa e espalhar a mensagem. Felizmente que há pessoas com maior capacidade do que eu de resumir de uma forma bastante gráfica a ...
Um festival de música organizado pelos fãs e para os fãsPublicado 27 Abr 08

Depois do crowdsourcing ter chegado à gravação e promoção de música sob a forma de editoras comunitárias como SellaBand e Slicethepie, só faltava mesmo um festival de música em que as bandas participantes e todos os outros detalhes relativos à organização do evento fossem escolhidos pelos fãs.
A ideia partiu da Tennent's, uma cervejeira escocesa famosa pelo alto teor alcoólico da sua cerveja. Há cerca de duas semanas, a empresa anunciou (via Springwise) a criação do Tennent's Mutual, um fundo de investimento no valor de 150 mil libras (190 mil euros) que servirão para financiar a primeira edição do festival. A única condição imposta pela Tennent's é que o festival deverá ocorrer em meados de Outubro ou Novembro em território da Escócia. O resto ficará a cargo dos fãs que irão decidir através da Internet que banda deverão actuar, em que local é que o festival deverá decorrer, quando é que ele deverá ocorrer e até mesmo quanto é que os bilhetes deverão custar.

Para tal, basta inscreverem-se no site até ao próximo dia 30 de Junho, de modo a que lhes seja concedido o estatuto de membro-fundador. Sendo o Tennent's Mutual uma iniciativa sem fins lucrativos, todo o dinheiro gerado com a venda de bilhetes será reinvestido no fundo de forma a que sejam organizadas mais edições do festival. A iniciativa conta com o apoio de grupo de conselheiros composto por Andrew Loog Oldham (manager dos Rolling Stones), Drew McDonnell (baixista dos BabyShambles), entre outros músicos e jornalistas escoceses famosos.
Creio que o único grande obstáculo que poderá comprometer o sucesso deste festival organizado ao jeito crowdsourcing é o risco que existe do sistema de votação ...







