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Archives - Posts tagged as 'inclusão digital'

Apple faz bluff e ameaça fechar a loja do iTunesPublicado 1 Out 08

Os compositores e publishers ou editores de música representados nos Estados Unidos pela National Music Publishers Association (NMPA) acham que o seu trabalho não está a ser convenientemente remunerado e querem aumentar a percentagem dos royalties sobre as vendas dos downloads efectuados através de lojas de música online dos actuais nove cêntimos para 15 cêntimos.

Por isso, eles solicitaram ao Copyright Royalty Board, um painel de três juízes encarregado de fixar o valor das licenças estatutárias previstas na lei de direitos de autor dos EUA, que actualizasse as taxas de royalties relativas aos direitos de reprodução mecânica. Os retalhistas de música online como a Apple e outras empresas associadas da Digital Media Association é que acham que este aumento de 66 por cento nas taxas dos royalties é incomportável e pretendem muito pelo contrário uma diminuição para os 4,6 cêntimos ou seis por cento da "receita aplicável". Mas tudo indica que o Copyright Royalty Board (CRB) opte pelo aumento.

A Apple é que não está pelos ajustes e num depoimento enviado àquele organismo federal em Abril de 2007 - ainda durante a fase de investigações do processo -  a empresa chegou mesmo a ameaçar encerrar a loja do iTunes caso as taxas dos royalties destinadas aos compositores e publishers aumentassem, de acordo com uma notícia publicada ontem pela Fortune.

Porque razão é que só agora é que esse documento foi tornado público é algo que eu ignoro. Não será pelo facto de estarmos precisamente na véspera do anúncio da decisão do CRB em relação ao pedido da NMPA? Talvez... Para percebermos o que está em causa, é preciso ter em conta que a Apple é a maior retalhista de música nos Estados Unidos, ...

Topspin: revolução do marketing musical ou mero hype?Publicado 16 Jul 08

O buzz em volta da Topsin Media, o novo projecto do ex-Yahoo Music Ian Rogers, não pára de aumentar. Mas será justificado? Numa era em que se defende tanto que os artistas devem libertar-se da dependência que os liga às editoras discográficas e tirar partido do fim dos constrangimentos tecnológicos e financeiros que os impediam de lançar uma carreira autónoma, a Topsin parece proporcionar a solução ideal.

Esta empresa criada por Peter Grotcher (fundador da Digidesign, conhecida pelo software ProTools) e Shamal Ranasinghe (ex-Real Networks e MusicMatch) fornece uma pacote de ferramentas de distribuição e marketing digital para a venda de subscrições e downloads digitais.

No seu portefólio de clientes conta já com nomes sonantes como Nine Inch Nails, Josh Rouse e Dandy Warhols. Depois de em Setembro de 2007 ter conseguido uma primeira ronda de investimentos junto da RedPoint Ventures, na semana passada a Topspin conseguiu atrair mais um investidor de peso, o Foundry Group. Tal como da primeira vez, a quantia investida não foi divulgada.

De acordo com o que Ryan McIntyre do Foundry Group afirmou no blog da empresa, "esta é a altura indicada para uma companhia como a Topspin alcançar um grande impacto no mundo da música." Como já é habitual de cada vez que ouvimos falar de um capitalista de risco que investe na "Música 2.0", o discurso de McIntyre está recheado de floreado "revolucionário", como se graças aos serviços mágicos de uma plataforma os artistas fossem agora capazes de fazer tudo por si próprios, sem recurso a um intermediário - como se a Topspin não fosse mais um intermediário...

Mas apesar da retórica, o modelo de negócio da Topspin é bastante promissor. Tão promissor que Bob ... Web 2.0, inclusão digital | 2 Comentários » | Continue linkarrow

Editora francesa lança revista dedicada ao eMulePublicado 10 Jun 08

eMule & Co - uma revista francesa dedicada à mula

Não deixa de ser bastante provocatório o anúncio da editora francesa IDPresse do lançamento de uma nova publicação a pensar nos utilizadores do eMule. A revista irá chamar-se eMule & co, terá uma periodicidade bimestral e será editada em conjunto com a empresa italiana WLF, de acordo com a Numerama.

Tendo em conta que o projecto da lei HADOPI deverá ser apreciado dentro de algumas semanas pelo Parlamento francês, trata-se de uma decisão no mínimo arrojada. Caso seja aprovada, esta lei irá implementar uma série de medidas repressivas contra os downloads de obras protegidas por direitos de autor, entre as quais se incluem a famigerada resposta gradual que prevê a notificação e até mesmo a suspensão ou corte da ligação à Internet dos utilizadores que forem apanhados pelos detentores de direitos a descarregarem ficheiros protegidos por direitos de autor.

Segundo o editor, a revista terá uma tiragem de 70 mil exemplares e um preço de capa de dois euros. Como se refere na nota de apresentação, o objectivo da publicação consiste em transmitir uma imagem alternativa do eMule para além dos estereótipos disseminados pelos media tradicionais:

Prática e acessível, a revista eMule & Co informa e explica, aborda os assuntos técnicos e sociais. Não promove a pirataria mas vai contra a corrente de um discursos maníqueista e arcaico que condena mais do que compreende sem qualquer tipo de nuances. O eMule e os seus consortes fazem já parte do nosso futuro. Um futuro tecnológico, multimédia, económico e artístico que vai sendo inventado a cada dia que passa.

Para além desta nova publicação, a IDPresse publica já desde Maio de 2005 a revista bimestral P2PMag, totalmente dedicada a analisar os aspectos técnicos e legais da partilha de ficheiros. ...

Gilberto Gil defende Cultura do P2P no Google ZeitgeistPublicado 23 Mai 08

GIlberto Gil

Gilberto Gil, o músico, anunciou recentemente o seu novo disco Banda Larga Cordel. O álbum sairá a 17 de Junho e irá incluir 16 faixas. Na segunda-feira, Gilberto GIl, o MInistro da Cultura do Brasil, fez um discurso na conferência Google Zeitgeist, em Watford (Reino Unido) que todos os políticos portugueses deviam ler - quase que aposto que nem sequer os assessores vão ler, mas enfim... - (via Joi Ito - tradução do inglês para português da minha responsabilidade):

"Desde 2003, quando tomei posse como Ministro da Cultura do Brasil, temos encarado as Tecnologias Digitais como um fenómeno cultural. Nós no Ministério temos insistido no papel estratégico da cultura enquanto forma de fazer política. Isto obrigou-nos a alterar radicalmente a forma de conceber a Política, o Estado e a Sociedade, em especial no que diz respeito à tecnologia digital.

Na política e sobretudo nos governos, as transformações radicais são apenas possíveis em determinados momentos históricos. Através da inserção da Cultura e da diversidade cultural enquanto actividade política, oferecemos à sociedade a oportunidade de alcançar uma mudança radical, passo a passo, usando regularmente os contributos das novas tecnologias industriais e sociais e evitando os terramotos da acção revolucionária clássica. Se observarmos as novas possibilidades digitais, podemos facilmente concluir que elas já constituem instrumentos revolucionários por si próprias. As iniciativas no domínio da Cultura Digital podem desempenhar um papel fundamental de desestabilização da inércia da política tradicional que fez com que a sociedade se afastasse da vida pública, gerando assim um vácuo de pensamento político crítico e chegando até a gerar cinismo, em especial nos sectores governamentais. Precisamos de reconhecer que a política tradicional não está a conseguir fazer avançar a democracia e o desenvolvimento social.

A adesão às tecnologias digitais criou em torno ...

Musopen coloca mais música clássica no domínio públicoPublicado 23 Mai 08

É bom sinal quando um projecto de cultura livre continua a dar cartas após vários anos de existência. Em Dezembro de 2006 escrevi aqui sobre o MusOpen, um site que se dedica a disponibilizar obras de música clássica que já caíram no domínio público - logo, podem ser livremente utilizadas e partilhadas por todos. Estas obras podem ser descarregadas gratuitamente no formato MP3.

Pois bem, o MusOpen não só continua em actividade como também introduziu recentemente uma nova versão e acrescentou uma série de outras novidades. Um dos destaques vai para um novo sistema de financiamento de gravações de obras de modo a contornar os obstáculos impostos pelos direitos conexos.

Com efeito, apesar de todas as partituras escritas por Mozart já se encontrarem desde há muito no domínio público - tendo em conta que os direitos de autor expiram passados 70 anos após a morte do autor - isso não quer dizer que qualquer pessoa possa pegar num CD qualquer com os melhores êxitos de Mozart e utilizá-los como base para uma remistura ou banda sonora de um filme amador.

Isto porque grande parte das gravações comercialmente disponíveis encontram-se ainda protegidas pelos direitos conexos, relativos aos direitos dos produtores de discos e intérpretes cujo prazo de validade no continente europeu é de 50 anos a contar a partir do início da distribuição pública da gravação.

Dado que a qualidade destes registos sonoras que já caíram no domínio público, o MusOpen teve a ideia de lançar um sistema em que os utilizadores que pretendam ver certas obras gravadas por músicos profissionais podem solicitar a ajuda de outros utilizadores para pagar a esses intérpretes. As gravações daí resultantes são posteriormente disponibilizadas no site para que todos as possam descarregar. Um dos feitos mais recentes ...

Brasil: IFPI apreende computadores em lan housesPublicado 29 Jan 08

Lan house em Pirinópolis, Brasil

Como a Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI) não consegue obrigar os ISPs a travarem a partilha de ficheiros efectuada pelos seus clientes, sobretudo nos países com uma maior taxa de pirataria, ela decidiu adoptar uma estratégia mais radical: realizar ataques em locais onde os internautas se encontram.

No Brasil, o ponto de encontro de todos os jovens dos bairrros periféricos que querem utilizar a Internet para aceder ao Orkut, jogar com os amigos ou baixar uma música dos tops do eMule são as lan-houses, uma espécie de cibercafés que fazem um fabuloso trabalho de inclusão digital que passa muitas vezes despercebido face às iniciativas do Estado apesar de cobrarem pelo acesso.

Mas acontece que a APCM (Associação Anti-Pirataria de Cinema e Música), uma organização anti-pirataria criada em Abril do ano passado pela IFPI e pela Associação da Indústria Cinematográfica (MPA, ligada à norte-americana MPAA, não pensa assim e coordenou uma série de operações em lan houses durante a primeira quinzena de Janeiro.

Num comunicado em inglês publicado ontem (via Écrans), a IFPI refere que ao todo foram cerca de 335 ataques em lan-houses localizadas no estado de São Paulo que envolveram cerca de 600 polícias e resultaram na apreensão de 2339 computadores que continham mais de um milhão de ficheiros "ilegais" de música, bem como na detenção de um suspeito.

O que nem a IFPI nem a APCM deixam bem explícito é se estas lan-houses comercializavam CDs e DVDs piratas ou se o material adquirido se referia a gravações em suportes virgem adquiridos pelos clientes de músicas descarregadas através de programas e sites de partilha de ficheiros. Mas mais uma vez meter contrafacção no mesmo saco de ...

Cartoon goza com neo-luddismo de Doug Morris, o patrão da UniversalPublicado 30 Nov 07

No início desta semana dei aqui conta de um artigo da revista Wired em que Douglas Morris, o director executivo da Universal Music confessava que as grandes editoras discográficas não sabiam o que fazer na altura em que o Napster e o formato MP3 começaram a revolucionar os hábitos musicais dos fãs de música de todo o mundo. Apesar de alguns profissionais de tecnologia que trabalhavam na indústria por alturas do final do milénio terem depois esclarecido que a história não estava bem contada, não tardou muito para que surgisse um cartoon a gozar com o neo-ludismo de Doug Morris. Os desenhos são da autoria de Joel Watson e pertencem ao mais recente número do webcomic Hijinks Ensue. A tradução para português já a seguir:

Doug Morris, você é um homem branco, gordo e rico, bem como o director executivo da Universal. O fenómeno do Napster deu-se em 1999. Porque é que apenas agora, quase uma década depois, é que você está a tentar - sem êxito - entrar no negócio da distribuição digital de música?

Quando os Napsters roubaram todas as músicas nós não sabíamos como fazer para que elas voltassem, procurámos no celeiro, por detrás da retrete ao ar livre e na oficina do sapateiro... Até mesmo debaixo das saias das nossas mulheres! Foi horrível! Para onde é que as músicas foram? Onde é que fica a Internet? Nunca conseguimos encontrar nenhuma das duas.

Porque é que não contratam alguém que consiga aproximar a Universal da era digital?

Quem é que haveríamos de contratar? Astronautas? Chineses? Duendes? Algum tipo de autómato jogador de xadrez alimentado a vapor? A Internet podia estar cheia de ursos pardos com motoserras em vez de mãos. Não faço ideia! Vocês, miúdos, com os vossos helicópteros ...

Patrão da Universal Music confessa sofrer de iliteracia digitalPublicado 27 Nov 07

Não é normal que um avozinho de 68 anos com cara de poucos amigos seja um perito em novas tecnologias. O problema é que este avozinho é "apenas" o director executivo da Universal Music, a maior editora discográfica do mundo - com uma quota de mercado de 25,5 por cento da indústria do disco -, aquela que perseguiu e intimidou milhares de fãs de música através dos seus braços armados chamados RIAA e IFPI.

Mais grave ainda é que o desconhecimento de Doug Morris do mundo digital não foi suficiente para que o CEO da Universal rotulasse peremptoriamente os leitores de MP3 de "repositórios de música roubada". Isso não impediu, no entanto, que anos mais tarde e num volte-face surpreendente o nosso avozinho tenha decidido cobrar uma taxa sobre as vendas do Zune à Microsoft em troca do licenciamento do seu catálogo. Mas tudo faz sentido se tivermos em conta que nessa altura o sistema iTunes+iPod da Apple já estava a colocar a Universal numa perigosa situação de dependência.

Outro episódio trágico que revela bem a incompetência de Morris é a relação esquizofrénica da sua companhia com o YouTube e o MySpace. Primeiro, acusou-os de serem violadores de copyright e processou-os. Depois acabou por negociar com a YouTube e espera-se que venha a fazer o mesmo com o MySpace. Mais recentemente e depois de anos a tentar proteger as músicas do seu catálogo disponibilizadas em lojas online lá acabou por iniciar uma tímida "experiência" de venda online de músicas sem DRM.

A bem da verdade é preciso reconhecer que ninguém fazia sequer ideia de que o sector da música se iria deslocar em poucos anos para a Internet e outros suportes digitais quando Douglas Morris assumiu o comando da Universal Music em ...

Pirate Bay imbatível face ao iTunes também na acessibilidadePublicado 26 Nov 07

Alguns dias depois do lançamento de In Rainbows dos Radiohead muitos comentadores e analistas ficaram escandalizados com a divulgação de dados que indicavam que só no primeiro dia de lançamento do disco, mais de 240 mil utilizadores optaram por descarregar uma cópia não oficial a partir de sites de BitTorrent como o Pirate Bay e o Mininova, isto apesar de o poderem arranjar quase de borla no site criado especificamente para o efeito pela banda. Na altura, apresentei como explicações possíveis para tal a fraca usabilidade do site e o facto de as pessoas já estarem habituadas a descarregarem música desses sites considerados ilegais.

E com efeito, se não na usabilidade pelo menos no que diz respeito à acessibilidade o Pirate Bay continua a bater aos pontos as principais ofertas legais online, em particular a loja do iTunes. E quando falo em acessibilidade estou a referir-me à facilidade de acesso que cada plataforma oferece aos utilizadores portadores de deficiências como surdez e cegueira. Através do del.icio.us de Rasmus "Copyriot" Fleischer e do P2P Blog de Janko Roettgers cheguei a um estudo do investigador sueco David Furendal - especialista em design de interacção - que compara os níveis de acessibilidade do Pirate Bay e do iTunes.

Tendo por base seis critérios de deficiência, Furendal tentou usar as duas plataformas na perspectiva de cinco personagens fictícias de forma a obter uma experiência de navegação o mais semelhante possível à de pessoas reais. O resultado é que o Pirate Bay apresenta uma boa acessibilidade em quatro das seis categorias. Tudo graças ao seu design bem estruturado e ao recurso a XHTML e a folhas de estilo CSS no interface de utilizador. Mas a grande vantagem está no facto da "Baía dos Piratas" ...

Software que ensina a criar música com Reason: grátis e com licença Creative CommonsPublicado 23 Nov 07

Talvez derivado à sua simplicidade de utilização, o Reason é um dos programas mais utilizados pelos iniciados no mundo da música electrónica que querem começar a criar as suas próprias músicas. Compatível com Mac e Windows, o software emula uma série de sintetizadores, samplers, sequenciadores e mixers que apenas podemos encontrar na maioria das vezes em estúdios profissionais.

Para facilitar ainda mais a vida desses milhares de músicos amadores, a empresa sueca Propellerhead responsável pelo software acaba de disponibilizar um pacote de material didáctico para download gratuito segundo licença Creative Commons BY-NC, o Teaching Music with Reason (formato ZIP, 25 MB).

O único senão é que o material didáctico se baseia na versão 2.5 e o software já vai na quarta versão. Uma vez que a fabricante decidiu descontinuar o produto e dado que este não foi actualizado para ter em conta as alterações introduzidas na versão 4 do Reason, a empresa decidiu oferecê-lo de borla. No entanto, como é habitual com as actualizações de software, as funcionalidades e conceitos básicos continuam a ser os mesmos, pelo que as 21 lições que o Teaching Music with Reason deverão ser bastante úteis para os novatos. Para além do mais, estando disponível com uma licença CC-BY-NC, isso quer dizer que qualquer pessoa pode actualizar e melhorar o material de base de forma a adaptá-lo às versões mais recentes.

(Via Marco Raaphorst)