Archives - Posts tagged as 'mashups'
Dúvidas sobre o projecto de lei brasileiro sobre cibercrimes: mais que muitasPublicado 12 Jul 08
Muito embora a versão do projecto de lei contra o cibercrime da responsabilidade do senador Azeredo aprovada a 9 de Julho pelo Senado brasileiro tenha introduzido algumas alterações que acalmaram os ânimos dos membros da comunidade de P2P que já receavam que a partilha de ficheiros protegidos por direitos de autor passasse a ser considerada um crime passível a pena de prisão de um a três anos - tendo em conta os termos com que o artigo 285-B se encontrava redigido -, vários juristas e activistas continuam a refutar muitos artigos por considerarem que eles se encontram redigidos de uma forma bastante imprecisa.
Até agora, as principais críticas vieram da parte de Ronaldo Lemos e da sua equipa Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. A posição oficial do CTS pode ser lida no blog do A2KBrasil mas o Guilherme Felitti tanbém escreveu um artigo no IDG Now! que conta igualmente com o depoimento de Ronaldo Lemos.
Não obstante a ligeira alteração aos artigos 285-A e 285-B, o presidente do projecto iCommons não se deixa convencer pelas explicações dadas pelo senador Aloizio Mercadante - o responsável pelas emendas ao texto - no sentido de dissuadir os receios dos críticos. Lemos considera que ambos os artigos continuam à mesma a ser inaceitáveis devido ao vocabulário bastante inexacto empregue pelo legislador. O busílis da questão diz aqui respeito ao significado concreto de "expressa restrição de acesso", expressão que na opinião de Lemos, continua a dar uma grande margem de manobra à imaginação interpretação de um juiz que seja eventualmente encarregado de julgar um determinado caso com origem numa queixa de violação de direitos de autor legitimada no artigo 285-B.
A minha posição de ...
“Feed The Animals” de Girl Talk: o prometido é devidoPublicado 20 Jun 08

Gregg Gillis AKA Girl Talk disse há cerca de duas semanas que pretendia lançar o seu novo álbum Feed the Animals segundo um modelo "pague o que quiser" semelhante ao adoptado pelos Radiohead e NIne Inch Nails nos seus últimos trabalhos. Ontem chegou o grande dia. Ta como prometido, o disco pode ser descarregado a partir do site da sua editora Illegal Art.
Quem quiser, pode fazer o download desta autêntica salada de frutas sonora de graça. Em troca, recebe um link para uma pasta ZIP com as 14 músicas do disco no formato MP3 de 320 Kbps juntamente com a capa do disco. Quem indicar cinco dólares ou mais tem acesso aos ficheiros em formato lossless FLAC (sem compressão de dados). Os mais generosos que estiverem dispostos a dar 10 ou mais dólares têm direito a receber não só os ficheiros no formato que quiserem mas também uma cópia física do CD a ser lançado em Setembro.
Um segredo: aqueles que quiserem receber os ficheiros FLAC sem pagar nada podem indicar que pretendem doar cinco dólares e aceder directamente ao link para o disco antes sequer de fazer o pagamento. No caso de optarem por não pagar nada, serão redireccionados para o seguinte questionário:
Optei por pagar 0.00$ porque:Eu escolhi a primeira opção. A esta altura do campeonato ninguém senão os verdadeiros fãs de um artista deveria ser obrigado a pagar por um disco antes de poder ouvi-lo na sua totalidade. Quanto ao disco em si, ...
- Poderei fazer uma doação mais tarde
- Não tenho dinheiro
- Não gosto de Girl Talk
- Não acho que se deva pagar pela música
- Já adquiri este álbum
- Não dou valor a música composta por samples
- Faço parte da imprensa, rádio ou indústria da música
- Outras razões
A Sociedade de Conservação dos MashupsPublicado 18 Jun 08

Será que os mashups se tornaram num objecto artístico demodé, datado, fora de moda? Vão dizer isso a Girl Talk, o mashupper que se tornou o herói deste movimento de recombinação e colagem sonora. O DJ e produtor anunciou há dias que pretende lançar o seu novo álbum segundo um modelo "pague-o-que-quiser" semelhante ao dos Radiohead. Mas tudo indica que alguém lhe tenha estragado os planos uma vez que o disco já está disponível no Pirate Bay (lendo os comentários, chega-se à conclusão que se trata de um fake colocado online há mais de três meses). Segundo a MTV, o disco vai ser disponibilizado no site da editora Illegal Art já amanhã, dia 19. Entretanto, podem ouvir a bastante misteriosa e esquisita música "!" que Greg Giilis colocou na página do seu alter-ego Girl Talk no MySpace que mais faz lembrar algumas bandas industriais.
Numa altura em que o ícone dos mashups se prepara para regressar em força, porque não recordar ou até mesmo ouvir pela primeira vez os "clássicos" deste género musical tão amado por uns e odiado por outros? Esta é a proposta do blog Mashup Preservation Society que eu fiquei a conhecer através do Trabalho Sujo do Alexandre Matias - que foi aliás quem me chamou a atenção para esse fake do Girl Talk... O objectivo deste blog criado há menos de um mês consiste justamente em preservar para a memória futura da música popular algumas das pérolas da Pop bastarda. Do post de apresentação:
Olá amigos. Nós somos um colectivo de artistas, DJs, produtores, engenheiros de som, músicos e coleccionadores de música. A missão do Mashup Preservation Society é documentar, registar e proteger de um ...
Mashupper sueco utiliza taxa pela cópia privada para financiar álbumPublicado 16 Jun 08

Um DJ e produtor sueco conhecido pelo nome artístico de Mr. Suitcase engendrou uma maneira original e subversiva de demonstrar a inutilidade da taxa pela cópia privada. Esta taxa é aplicada em quase todos os países da União Europeia ao preço de venda final de suportes de gravação e armazenamento de dados como CD-Rs e DVD-Rs, gravadores de CDs e DVDs e até mesmo leitores de MP3 - no caso de alguns países.
Este montante é posteriormente distribuído pelas sociedades de cobrança de gestão de direitos entre os artistas e autores, supostamente com o intuito de compensá-los pelos prejuízos financeiros provocados pela cópia ilegal de conteúdos protegidos por direitos de autor.
Mas tal como muitos outros artistas, Mr. Suitcase considera que esta taxa não faz sentido nos dias de hoje e que os legisladores devem resignar-se e aceitar a partilha de ficheiros como uma realidade de facto. Daí que ele tenha decidido utilizar o dinheiro que recebeu no ano passado da Swedish Performing Rights Society (STIM) depois de lançar o seu álbum Guidelines For An Emerging Century para financiar a produção de uma "experiência musical" chamada Frauds.
De acordo com Mr. Suitcase, "Frauds não é nem uma mixtape nem um álbum. Não é nem uma remistura nem um mashup. É algo entre isso tudo." O disco com a duração de 49 minutos é composto por 15 faixas caracterizadas por uma sonoridade ambiental electrónica que combina quase uma centena de samples originários de artistas como Prince, Usher, Brian Ferry, Rice Twins, Ashanti e Zongamin.
Sendo o álbum preenchido quase na sua totalidade por fragmentos e loops de músicas de outros artistas, o produtor e DJ sueco achou por bem levar até às últimas ...
Mashupper Girl Talk vai lançar novo álbum segundo modelo “pague-o-que-quiser”Publicado 8 Jun 08

Girl Talk ou por outra Greg Gillis tornou-se o ícone do movimento da reapropriação e reciclagem sonora vulgarmente designado de mashup ou bastard Pop. Graças ao sucesso do álbum Night Ripper de 2006 - recheadinho de samples que combinavam Rap, Pop e Rock independente - Gillis pode abandonar a sua vida dupla de engenheiro bioquímico durante o dia e produtor e DJ de noite para se dedicar completamente à música e aos concertos.
Porque as actuações ao vivo representam de facto o verdadeiro ganha-pão dos artistas - e não os discos - e uma vez que os mashups são um estilo de música com bastante receptividade por parte dos utilizadores da Internet, Girl Talk teve a ideia de imitar o modelo "pague-o-que-quiser" popularizado pelos Radiohead com o seu In Rainbows.
Segundo o que Gillis afirmou à Billboard, o seu novo álbum deverá ser lançado dentro de algumas semanas a partir do site da Illegal Art, a sua editora. O disco com a duração de 55 minutos terá o nome de Feed the Animals e irá incluir mais de 300 samples. Mais tarde será também lançado um CD física para os fetichistas das rodelas de plástico. Ficamos então à espera da "experiência". Pessoalmente, acho que tem tudo para ser um sucesso. Girl Talk já se tornou uma marca da música online. É natural que ele tenha agora optado por experimentar um modelo de negócio que parece se adequar bastante ao ambiente digital.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a mercuriain.
MT9, o formato da “Música 2.0″Publicado 23 Mai 08

Música 2.0 para aqui, música 2.0 para acolá. Eu sei, eu sei... Há muita gente a abusar do termo e ainda mais gente que não percebe patavina quando se do que é que isso quer dizer. Mas desta vez parece que não é chavão porque se trata mesmo da designação comercial de um novo formato de música digital desenvolvido por um grupo de engenheiros sul-coreanos do Instituto de Investigação em Telecomunicações e Electrónica que permite modificar o volume de cada instrumento musical como guitarra, baixo, bateria e voz.
O novo formato de ficheiro, com nome de extensão .MT9, promete vir a ser a concretização do sonho não só de muitos aficionados do karaoke, como também de DJs e mashupers de trazer por casa. Graças ao MT9, qualquer pessoa poderá criar em poucos minutos a sua remistura ou mashup.
Segundo o jornal Korea TImes (via Idolator), os ficheiros do MT9 podem ser carregados num leitor especial que incorpora um equalizador áudio de seis canais. Cada um destes canais corresponde a um elemento diferente do arranjo (voz, coro, piano, guitarra, baixo e bateria), sendo possível aumentar e diminuir o volume de cada um.
O artigo do jornal refere ainda que a empresa Audizen já se encontra a comercializar alguns álbuns no formato MT9. Por seu lado, tanto a Samsung como a LG já manifestaram o interesse em integrar um leitor de MT9 nos seus novos modelos de telemóveis já a partir do próximo ano. Uma das coisas que me agradou neste novo formato é o facto de não incluir qualquer tipo de tecnologias de protecção anti-cópia como as DRMs (Gestão de Direitos Digitais). Nas palavras de Han Seung-chui, o patrão da Audizen:
É como ter um CD ou uma cassete. Uma vez comprado o ficheiro, ...
Blip - twittando músicaPublicado 13 Mai 08

Um dos vários usos que eu dou ao Twitter é informar as pessoas que me seguem por lá das minhas últimas explorações musicais. Até agora, tenho feito isto manualmente, indicando o nome do artista e do álbum e o respectivo link para o Deezer ou para o Jiwa.fm, dois serviços online de streaming que permitem ouvir discos completos. Suspeito, no entanto, que a minha táctica de dar música através do Twitter não seja muito comum.
Na verdade, acho que a maioria das pessoas opta por dar o link directo para o single em motores de busca de MP3 como o SeeqPod ou o SkreemR e agregadores de blogs como o Hype Machine. Acontece que eu não me contento com singles e gosto que as pessoas apreciem o formato album como uma obra de arte coerente, que se deixem levar pela experiência criada pelo artista. Mas isso são caprichos de melómano. Afinal, eu devo ser a única pessoa que tem um blog sobre música que nunca utilizou um desses sites de criação e partilha de mixtapes virtuais como o Mixwit e o Muxtape...
A pensar nesses e na grande maioria dos fãs de música que já usam o Twitter, a Fuzz - uma empresa de música 2.0 que funciona como um misto de editora online, plataforma de promoção de artistas e comunidade de fãs - criou o Blip, um novos serviço de recomendação social de música que Mark Hendrickson do TechCrunch chamou de "Twitter da Música" justamente porque porque permite que os utilizadores recomendem aos seus "favoritos" (e não "amigos" ou "seguidores") o que estão a ouvir naquele preciso momento.
Para tal, ...
Radiohead e Nine Inch Nails lançam concursos de vídeos para promover novos álbunsPublicado 17 Mar 08
Como se a iniciativa de lançar os seus discos directamente para os fãs de acordo com uma panóplia de modalidades - incluindo o download grátis a custo zero - não fosse suficiente, os Radiohead e os Nine Inch Nails tiveram agora a ideia de recorrer aos conteúdos gerados pelos utilizadores de forma a obter um maior envolvimento por parte da comunidade dos fãs.
O primeiro dos dois a ter a ideia foi Trent Reznor, o frontman dos Nine Inch Nails. Na terça-feira passada, ele lançou o Nine Inch Nails Ghosts Film Festival, uma iniciativa em que os fãs poderão criar vídeos para acompanhar todas as 36 músicas dos quatro discos do novo trabalho da banda e fazer o respectivo upload no canal próprio no Youtube.
Para alargar a ideia por detrás do projecto Ghosts, convidamos todos a criarem vídeos que acompanhem a música do álbum. Dentro de álbuns meses juntaremos todos aqueles que sentirmos que são excepcionais de forma a dar-lhes mais visibilidade. Não existem regras: sejam tão criativos quanto quiserem. Cirem um vídeo de música ou uma curta metragem ou algo totalmente abstracto. Usem apenas uma faixa do álbum ou várias. Apenas um pormenor: incorporar material protegido por direitos de autor (clips de filmes, música de outros artistas, etc.) no vosso vídeo poderá limitar as vossas hipóteses de poder exibi-lo de futuro.
Já agora, para os interessados aqui fica a nota de que já é possível descarregar os quatro discos completos de Ghosts I-IV a partir do Internet Archive nos formatos MP3 de 320 Kbps, Ogg Vorbis e FLAC, nos termos da licença Creative Commons BY-NC-SA 3.0.
Em paralelo, o site de animação independente Aniboom e a TBD Records - a editora responsável pelo lançamento físico do CD de In ...
Colectivo brasileiro Re:combo morreuPublicado 4 Mar 08

Há movimentos e colectivos cuja razão de ser desaparece quando os seus princípios e objectivos se massificam e atingem o âmago da sociedade. Quando isso acontece, o processo de dissolução é quase sempre imediato e inevitável.
Foi o que aconteceu com o colectivo Re:combo. Surgido em 2002 na cidade brasileira de Recife (estado de Pernambuco) começou por ser um grupo de músicos, artistas plásticos, designers, programadores, DJs e profissionais de vídeo unidos pela valorização da colaboração, da reciclagem artística e da remistura através da produção conjunta de músicas, vídeos e instalações.
Mas em poucos anos tornou-se uma plataforma online distribuída pela rede, chegando a contar com participantes em vários cantos do Brasil, para além de outros países do mundo. O Re:combo chegou mesmo a organizar jam sessions intercontinentais em tempo real com DJs da Alemanha e Roménia.
Nesse sentido, eles foram os pioneiros de muita coisa que se seguiu depois como o ccMixter e outros sites de colaboração online entre músicos. Mais importante do que isso, o Re:combo foi um dos primeiros movimentos a iniciar o debate sobre a cultura livre, a flexibilização dos direitos de autor sob a forma do copyleft e a cultura livre, tendo mesmo a sua Licença de Uso Completo Re:combo (LUCR) inspirado a Creative Commons na criação das licenças CC-Sampling.
Infelizmente, ontem dei de caras com um post de André Lemos no seu Carnet de Notes informando-me que a Zona Autónoma Temporária chamada Re:combo chegou ao fim. Da mensagem enviada pela equipa do projecto:
No dia 5 de fevereiro, durante a terça-feira de carnaval de 2008, como última ação coletiva, distribuida e organizada, membros do Re:combo espalhados pelo Brasil e pelo mundo, celebraram, cada um ao seu ...
Build Last.fm: uma galeria de aplicações Web para a Last.fmPublicado 1 Mar 08

Como nunca é demais falar daquilo que é realmente bom, aproveito aqui para falar outra vez da rede social de música Last.fm. Poucas horas depois do agregador de blogs de MP3 Hype Machine ter adicionado ao seu site uma funcionalidade que permite o scrobbling de todos os temas escutados no seu player, a equipa da Last.fm anunciou o lançamento de Build Last.fm, uma galeria de aplicações, widgets e serviços Web que utilizam a sua API pública.
O site encontra-se dividido em quatro categorias: ferramentas para o desktop (programas, extensões e widgets), aplicações Web, aplicações para redes sociais e scrobblers, isto é, ferramentas que permitem sincronizar as faixas escutadas com a nossa conta pessoal na Last.fm. Os programadores que estejam interessados em ver as suas aplicações exibidas na galeria podem fazê-lo a partir daqui. Dentro em breve serão também acrescentadas novas funcionalidades como feeds de RSS, comentários e pesquisa.
A Last.fm refere no comunicado de lançamento do novo site que mais de 19 milhões de pessoas em todo o mundo acederam a partir de outros sites a aplicações baseadas na sua gigantesca base de dados durante o mês de Janeiro. Esse número é quase igual aos 21 milhões de utilizadores activos do próprio site da Last.fm.
A companhia aproveita ainda para destacar algumas aplicações que utilizam a informação da sua tecnologia de base de dados de hábitos musicais Audioscrobbler. Entre os exemplos incluem-se:
- um widget da BBC que permite que os ouvintes enviem os dados relativos às músicas que acabaram de escutar para os seus perfis na Last.fm
- uma aplicação da Skype que permite que os utilizadores escutem as suas rádios personalizadas e partilhem os ...






