Música livre

Ao contrário do que se possa pensar, não é preciso cometer nenhuma ilegalidade para obter música totalmente grátis com qualidade MP3 e sem DRM. Isto significa que o utilizador pode gravar os temas para um CD, partilhá-los com amigos ou transferi-los para o seu iPod. Nalguns casos, consoante os termos das licenças livres Creative Commons, o autor permite até a utilização para fins comerciais (séries, filmes, publicidade) ou a criação de remisturas e outras obras derivadas do original. Muitos anos antes dos Radiohead terem decidido lançar um disco segundo o modelo “você decide o preço” já milhares de artistas distribuíam livremente álbuns e EPs completos na Internet através de editoras discográficas online chamadas netlabels, seguindo o caminho da autopublicação ou recorrendo a portais de música livre como o Jamendo.

Uma proposta muito mais em conta do que uns “desajeitados” CDs com preços caríssimos (15-18 euros) ou mesmo dos descarregamentos de lojas de música online como a do iTunes, que cobram 99 cêntimos por faixa e 10 euros por álbum, não acham? Neste maravilhoso mundo oculto do netaudio pode-se encontrar todos os tipos de géneros musicais: reggae, techno, rock, hip-hop, electrónica, ambiental, músicas do mundo, metal e um nunca mais acabar de subgéneros. Mas se não é o dinheiro, então o que faz com que estes músicos ofereceçam de livre vontade o fruto do seu trabalho? Em primeiro lugar, a possibilidade de chegar a públicos que de outra forma nunca ficariam a conhecer as suas músicas – pessoas de outros continentes e que falam outras línguas; em segundo lugar mas mais importante ainda, a hipótese de arranjarem concertos nesses outros países, lá onde o circuito tradicional do mercado discográfico não chega.

Para tal, eles não hesitam em recorrer à tecnologia P2P de partilha de ficheiros de redes como a BitTorrent e a eMule, a mesma que é frequentemente acusada pelas grandes editoras de estar a matar a música. Exactamente como acontece no mundo do software livre com as distribuições do Linux. Tendo em conta as recentes tendências do mercado que apontam para aquilo a que alguns já chamam de “Música 2.0″, esta é a altura indicada para ficar a conhecer melhor essa música livre. Nesta página irei indicar vários recursos que vos poderão ajudar a encontrar aquelas “pérolas” sonoras que nem sequer faziam idéia que existiam. E se gostarem do disco de um artista ou editora em particular, porque não fazer uma doação de cinco ou dez euros?

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Nota: a imagem da juke box está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e foi tirada por mahalie.

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